DuPont: Brasil tem boa performance em segurança alimentar, mas renda e infraestrutura são desafios

publicado 12/08/2014 16h06, última modificação 12/08/2014 16h06
São Paulo – Mapeamento da empresa mostra os fatores que influenciam o acesso à comida em 109 países
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O Brasil está entre os países de boa performance em segurança alimentar, mas o acesso à comida, no país, enfrenta desafios provocados pela baixa qualidade da infraestrutura e pela queda do PIB per capita, que faz com que as famílias paguem mais pelos alimentos. O dado faz parte do relatório anual da DuPont sobre segurança alimentar, realizado pela The Economist Intelligence Unit.

O estudo (confira a íntegra, com tabelas e dados por países, clicando aqui) foi apresentado pelo presidente da DuPont do Brasil, Ricardo Vellutini, durante o Seminário Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro: Segurança Alimentar, Política Agrícola e Inovação, na Amcham – São Paulo, terça-feira (12/08).

O evento foi mediado pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, e teve dois painéis de debates, com a participação de Adrian Isman, presidente da Louis Dreyfus Commodities Brasil; Marcos Jank, diretor global de Assuntos Corporativos da Brasil Foods; Jerry O’Callanghan, diretor de Relações Institucionais da JBS; Alexandre Borges, presidente da Mãe Terra, e João Carlos Hopp, diretor Comercial da Fazenda Bela Vista.

Mário Tenerelli, vice-presidente da área de proteção de cultivos da DuPont do Brasil; Marisa Regitano d’Arce, vice-diretora da ESALQ/USP; Elísio Contini, pesquisador da Embrapa; e Clodys Menacho, diretor Comercial da Alltech, também participaram de painel.

Desempenho do Brasil

Entre 109 nações avaliadas, o Brasil é a 33ª, num ranking dividido entre “melhor performance”, “boa performance”, “performance moderada” e “precisa melhorar”. Houve queda na nota, diferentemente do cenário registrado no estudo de 2013.

Os pontos que incidem positivamente na colocação brasileira são os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, nutrição e programas sociais. “O país tem 2% do PIB agrícola investidos em P&D. Isso faz a diferença, além dos programas sociais”, comenta Vellutini.

No entanto, a falta de investimentos em infraestrutura e a queda do PIB per capita pesam no desempenho brasileiro, porque encarecem o acesso ao alimento. “Eu acrescento, ainda, a inflação”, cita o executivo.

O Brasil possui o segundo melhor desempenho nas Américas Central e Sul, atrás do Chile, que aparece entre os países de “melhor performance”. O Haiti está entre os que “precisam melhorar”.

A região registrou o menor crescimento em função das altas taxas de urbanização, o baixo crescimento do PIB e questões ligadas à corrupção. Mas foi favorecida por programas sociais, redução de despesas com alimentos e avanço em infraestrutura.

Resultados gerais

O estudo da DuPont mostra que os índices de segurança alimentar subiram em 70% dos países pesquisados. Uganda, no leste do continente africano, foi o país que mais melhorou, graças a programas sociais que garantem alimentação em escolas e menor gasto familiar na compra de alimentos.

“É um lugar em que pequenas melhorias trazem resultados significativos”, diz Vellutini. Porém, todos os países do continente se mantêm na classificação “precisa melhorar”.

Os dez melhores em segurança alimentar são, na ordem, Estados Unidos, Áustria, Holanda, Noruega, Singapura, Suíça, Irlanda, Canadá, Alemanha e França. Os que atingiram a menor classificação são, na ordem decrescente: Congo, Chade, Madagascar, Togo, Burundi, Tanzânia, Haiti, Niger, Moçambique e Burkina Faso.

O último grupo apesenta PIB per capita baixo, problemas em infraestrutura agrícola, corrupção como fator que impacta a disponibilidade de alimentos e baixa qualidade da proteína presente da dieta da população.

“Os mais desenvolvidos tiveram as melhores notas. Eles têm fornecimento de alimentos em quantidade suficiente, baixo risco de instabilidade política e baixo custo com alimentação por parte das famílias”, afirma o presidente da DuPont.