Economista do Citibank vê impasse político como causa principal da desconfiança em relação à economia

publicado 16/10/2015 10h04, última modificação 16/10/2015 10h04
São Paulo – Para Marcelo Kfoury, falta de consenso sobre o ajuste fiscal atrasa a recuperação do PIB
marcelo-kfoury-6585.html

A dificuldade do governo em aprovar o ajuste fiscal no congresso é a principal causa da desconfiança generalizada em relação à economia, de acordo com o economista-chefe do Citibank, Marcelo Kfoury. “É o imobilismo do governo que gera essa falta de perspectiva para a economia”, afirma, durante o seminário ‘Brasil 2016 – Perspectivas para o País’ da Amcham – São Paulo, na quinta-feira (15/10).

Kfoury trouxe as perspectivas econômicas do Citibank para 2016, formando um painel de discussões com Rafael Guedes, diretor-geral da Fitch Ratings no Brasil, e Carlos Eduardo Lins da Silva, sócio diretor da Patri Políticas Públicas.

Sem vontade política, o país não vai sair da crise econômica, destaca Kfoury. “A presidente Dilma quer aumentar impostos, como CPMF e CIDE, mas o congresso e, principalmente o PMDB (partido aliado), não querem. Por outro lado, o PT (partido de Dilma) não aceita cortar gastos de 100 bilhões de reais que afetariam profundamente os programas sociais. Sem sair desse dilema, como o governo vai funcionar no ano que vem?”, indaga.

Antes que a agência de classificação de risco Fitch Ratings anunciasse o rebaixamento da nota soberana do Brasil de ‘BBB’ para ‘BBB-’ na manhã de quinta-feira, Kfoury disse que o governo precisa agir rapidamente para transformar a situação econômica. “Se (o governo) não fizer nada, vai ter mais um rebaixamento de rating, a questão fiscal não será arrumada e nem haverá recuperação de confiança.”

Projeções para 2016

O Citibank projeta um cenário econômico ruim neste ano e no próximo. Kfoury disse ser difícil fazer projeções, mas estima que o PIB (Produto Interno Bruto) deve encolher 2,7% neste ano, e até 1,1% em 2016. “Mas já ouvimos instituições que projetam queda de 2% (do PIB). Há uma sensação de perplexidade de que podemos ficar três anos (até 2018) nessa situação”.

Em relação ao dólar, a estimativa do banco é uma cotação entre R$ 4 e R$ 4,20 no final de 2015. Para os próximos anos, as projeções estão sendo revistas em função da incerteza nos mercados internacionais. “Há dúvidas sobre o ritmo de crescimento da China (principal compradora de commodities brasileiras), mas não prevemos uma desaceleração brusca. Nos próximos cinco anos, há a possibilidade de conviver com um câmbio mais depreciado.”