Educação tem que desenvolver autonomia desde cedo, diz ex-ministra Cláudia Costin

publicado 27/02/2015 15h18, última modificação 27/02/2015 15h18
São Paulo – Aprender a pensar, pesquisar e cooperar na infância é a chave para formar profissionais mais críticos
autonomia-foto01.jpg-4832.html

A ex-ministra Cláudia Costin, atualmente diretora sênior do Banco Mundial para a Educação, afirma que um ensino básico que estimule a autonomia do aluno é a chave para a formação de profissionais capazes de gerar inovação e produtividade em grande escala.

“É preciso repensar as práticas de sala de aula e ensinar as crianças a pensar, pesquisar e trabalhar em equipe”, disse, no debate com especialistas em educação que participaram do seminário ‘A iniciativa privada e os agentes da educação no Brasil’, organizado pela Amcham – São Paulo na quarta-feira (25/2).

Cláudia afirma que a escola tem condições de ajudar a desenvolver algumas habilidades interpessoais, como persistência e cooperação, com a ajuda da tecnologia. “Hoje, dispomos de instrumentos tecnológicos de avaliação formativa em que se pode identificar exatamente o que cada criança não aprendeu. Se tudo isso se acoplar a uma plataforma de ensino audiovisual, tendo o professor como facilitador do aprendizado, fará toda a diferença”, detalha.

Cláudia foi ministra da Administração e Reforma do Estado entre 1995 a 2002, secretária de Cultura do Estado de São Paulo (2003 a 2005) e secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro (2012-2014). Segundo a especialista, é preciso criar um plano nacional de educação, onde cada nível de ensino seria responsável por formações específicas.

No ensino profissionalizante, por exemplo, Cláudia sugere que o sistema educacional priorize as necessidades regionais de formação técnica com base nas demandas atuais e necessidades futuras – e identificadas no plano nacional de educação.

Em nível superior, o ensino também seria direcionado de acordo com as vocações regionais. Para aprimorar a formação superior, Cláudia também defende maior integração universidade-empresa, e criação de fontes de financiamento para pesquisas de interesse corporativo.

As iniciativas das empresas para a formação profissional

No debate, instituições de ensino profissionalizante e empresas mostraram algumas iniciativas para compensar a falta de formação básica do mercado. Almério Melquíades de Araújo, coordenador de Ensino Médio e Técnico do Centro Paula Souza, também se mostrou favorável à aproximação maior das escolas com o mundo corporativo.

As empresas querem profissionais tecnicamente melhores, mas as instituições de ensino técnico alegam que precisam de mais informações a respeito de qualificações e locais onde há maior demanda de trabalhadores. “Falta ao Brasil experiência em desenvolver currículos profissionais entre universidade e empresas”, disse.

Lívia Sant’Anna, vice-presidente de Recursos Humanos da Mendes Junior Engenharia, disse que as empresas precisam estreitar o diálogo com o Estado, para alinhar as expectativas de treinamento. “As empresas têm que ser mais propositivas. Precisamos ajudar os governos federal, estadual e municipal a organizar as iniciativas de educação.”

Do lado das empresas, Gabriella Bighetti, diretora presidente da Fundação Telefônica Vivo, disse que o setor privado tem se reunido entre si para compensar a carência de formação profissionalizante. “Há consenso entre as empresas sobre a importância do investimento conjunto em educação. Todos os nossos projetos têm, pelo menos, três ou quatro empresas parceiras.”

Na mesma linha, Alba Valério, gerente de Recursos Humanos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), disse que a necessidade de profissionais melhores está fazendo com que as empresas deixem suas diferenças de lado e invistam em ensino.  “No segmento minero-metalúrgico, empresas concorrentes de grande porte se uniram para investir em educação. Estamos falando de CSN, Arcelor Mittal, Vale, Gerdau e Anglo-American construírem juntos um consórcio de formação profissional.”