Empresas de saúde suplementar devem apresentar propostas conjuntas para o setor, diz advogada

publicado 20/06/2016 10h47, última modificação 20/06/2016 10h47
São Paulo – Para Thera van Swaay De Marchi (Pinheiro Neto), empresas têm papel decisivo na saúde suplementar
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Dos 48 milhões de planos de saúde privada do mercado brasileiro, dois terços (32 milhões) foram contratados pelas empresas, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Mesmo com toda essa representatividade, o empresariado não é ouvido na formulação de melhorias públicas para o setor, disse a advogada Thera van Swaay De Marchi, sócia do escritório Pinheiro Neto Advogados, no comitê estratégico de Relações do Trabalho da Amcham – São Paulo da quinta-feira (15/6).

“32 milhões de pessoas só tem acesso a um plano de saúde por causa do empregador e ainda assim eles não aparecem na cadeia de saúde suplementar. Enquanto os empregadores não tiverem voz no mercado para enfrentar os custos setoriais e outras questões regulatórias, todos os problemas enfrentados dentro de casa vão continuar existindo”, afirma Thera.

As estatísticas da ANS de maio revelam que há 39 milhões de planos coletivos de saúde contratados por empresas (32 milhões), associações ou entidades de classe (seis milhões) e não identificados (um milhão). Mais nove milhões de planos de saúde são de indivíduos ou famílias, resultando em um total de 48 milhões.

A advogada defende que as empresas que participam do mercado de saúde suplementar criem propostas conjuntas para melhorar a atuação do setor. “Os empregadores sequer têm representatividade na Câmara de Saúde Suplementar da ANS, que se reúne periodicamente para definir a agenda regulatória. Sem engajamento coletivo, vão continuar sem aparecer”, destaca.

Na cadeia da saúde suplementar, as empresas são as principais consumidoras de planos de saúde, que repassam aos funcionários como benefício. Sem as empresas, a alternativa de tratamento médico e hospitalar seria recorrer ao já sobrecarregado sistema público de saúde. “Nem as pessoas e nem o estado querem que isso aconteça”, observa Thera. Ainda conforme a ANS, os 48 milhões de beneficiários com planos de saúde privado representam apenas 23% da população brasileira.

Por conta da crise econômica, Thera comenta que muitas empresas estão criando restrições para a inclusão de beneficiários nos planos coletivos empresariais. Esse seria o momento para o empresariado se reunir para criar uma agenda propositiva de melhorias. “Existe uma grande janela de oportunidade para os empregadores exercerem pressão por representatividade, visto que a ANS não quer perder o mercado de saúde suplementar”, observa.