Empresas no Brasil dedicam pouco tempo à estratégia da área financeira, aponta estudo

por marcel_gugoni — publicado 06/12/2012 14h55, última modificação 06/12/2012 14h55
São Paulo – Conclusão é de relatório da Deloitte, que consultou 51 empresas de oito países durante um ano.
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A área financeira das empresas brasileiras gasta muito tempo com operações, mas não dedica todo o tempo necessário à estratégia e à análise de dados. A insuficiência de processos estruturados e analíticos faz com que os profissionais da área executem o equivalente a 1,6 vez o trabalho de um americano, segundo uma pesquisa divulgada pela consultoria Deloitte sobre a performance da área financeira na América Latina.

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O estudo, realizado com 51 empresas de oito países durante um ano, mostra que as empresas brasileiras têm muitos profissionais executando tarefas de baixo valor agregado, com retorno corporativo limitado. Para Anselmo Bonservizzi, sócio-líder de Estratégia e Operações da consultoria, “ainda estamos muito preocupados com a área de operações no sentido de fazer a máquina rodar e isso não deixa sobrar tempo ao CFO para se dedicar a tarefas mais nobres, que agreguem valor ao negócio”.

“As empresas no Brasil têm um excesso de pessoas na área financeira em relação às de outros países. Frente aos EUA, temos mais pessoas, com salários menores. Além disso, enquanto o americano se dedica muito mais ao perfil gerencial e analítico, temos no Brasil um perfil mais operacional, de pessoa que precisa colocar as informações dentro de um sistema.”

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Bonservizzi conversou com a reportagem do site após participar do comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (06/12). “Em média, o Brasil, para operar a mesma transação, faz 1,6 mais operações do que o americano”, analisa. “No Brasil, [a área financeira] é uma função de valor agregado mais baixo.”

Papel estratégico

Os resultados da pesquisa mostram que as empresas brasileiras ainda se baseiam em maior número de controles e lançamentos contábeis manuais. Essa situação é generalizada nos países latino-americanos. Segundo o consultor, isso representa maiores custos e mais complexidade na produção de informações estratégicas para as companhias.

José Othon Tavares de Almeida, sócio-líder CFO Program da Deloitte, que também participou do comitê, aponta que o CFO tem, atualmente, uma responsabilidade como braço direito do executivo, do CEO. “Os gestores financeiros passaram a ter uma representatividade no sentido da qualidade da informação, da coordenação e do gerenciamento dos talentos, no relacionamento interno para que a informação utilizada pela administração tenha maior qualidade”, diz.

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“O CFO hoje é um braço direito, é a mais forte representação e de suporte do CEO nas organizações.”

Fábio Perez, senior manager de Finance Transformation da Deloitte, defende que as empresas precisam passar a adotar processos mais automatizados e definidos, buscando mais eficiência. “Precisamos mudar o perfil do profissional de finanças. Ele precisa ser mais analítico e ter maior capacidade gerencial e menos transacional. A questão está no uso de tecnologias.”

Processos eficientes

Bonservizzi concorda. “O primeiro desafio do CFO é se dedicar mais ao papel estratégico na organização. O CFO hoje é o grande motor da empresa porque qualquer operação financeira impacta em todas as áreas”, avalia.

De acordo com ele, o bem mais escasso para promover essa mudança não é o caixa da empresa, mas o tempo do executivo. “Por incrível que pareça, a solução é ter tempo disponível. Para isso, é preciso segregar bem as atividades de baixo valor agregado, aquelas que não ajudam em nada e consomem tempo.”

É neste ponto que entra o aprimoramento de processos e de sistemas internos para tornar a consolidação e produção de dados algo mais enxuto. “Essa é a grande missão da área de finanças para se tornar mais eficiente e eficaz.”

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A pesquisa conclui que, entre os principais desafios das empresas, além de tornar a área de finanças mais estratégica, está promover de forma consistente essa mudança de processos e priorizar os investimentos para qualificação de pessoas a fim de atrair e reter talentos.

“Vemos retrabalho nas companhias e nos preocupa o tipo de trabalho que está sendo exercitado, assim como a falta de gente qualificada no mercado de trabalho”, conclui Bonservizzi.