Empresas podem fazer outsourcing de todos os departamentos, mas é preciso ter fluxo previsível de recursos

por andre_inohara — publicado 04/08/2011 12h27, última modificação 04/08/2011 12h27
São Paulo – DHL mostra como fez terceirização dentro do próprio grupo com sucesso.

Em tese, uma empresa pode terceirizar todos os seus departamentos. Porém, um programa bem-sucedido de outsourcing exige alguns cuidados, alerta Andrew Frank Storfer, sócio da Interacta Participações e conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

“É o caso da Nike, que só administra a marca. Com esse modelo de negócios, gera mais valor ao seu acionista”, disse Storfer, durante reunião do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (15/07). Segundo ele, um dos requisitos básicos para terceirizar atividades é ter folga de caixa, ou seja, um fluxo previsível de recursos.

Outros pontos essenciais a serem observados antes da terceirização, conforme Mário Fernandes da Costa, CFO da DHL Global Forwarding, é  fazer um planejamento minucioso e ter clareza de objetivos e engajamento da liderança.

“Sem um alinhamento completo de propósitos, a chance de acontecerem problemas é grande”, sinalizou ele.

Experiência da DHL

A DHL é exemplo de empresa que obteve êxito ao promover uma terceirização interna de atividades. As operações de cobrança, contas a pagar, a receber e contabilidade da filial brasileira foram transferidas para a unidade central de serviços do grupo na Colômbia, país escolhido para abrigar essas funções na América do Sul.

A decisão de fazer outsourcing de parte da estrutura financeira permitiu à subsidiária brasileira ter mais agilidade na gestão financeira, além da redução nos gastos do departamento.

A revisão e mapeamento dos processos foi feita com a assessoria de uma empresa de terceirização, disse Costa. “Estudamos um programa que fosse sustentável no longo prazo, que reduzisse custos e quantidade de processos”, assinalou.

O primeiro passo foi testar a viabilidade do programa de centralização na Colômbia. Como resultado, a empresa passou a trabalhar de forma organizada e o nível das informações ficou mais confiável e alinhado ao foco do negócio, comentou o diretor.

“Com novos processos no departamento financeiro, reduzimos as etapas em 20% e os custos caíram mais de 30%.” Além de enxugar a estrutura, a DHL ganhou mais tempo para se dedicar ao direcionamento estratégico da empresa para os próximos anos.