Energia solar deve ser mais competitiva no final da década

publicado 26/09/2013 15h37, última modificação 26/09/2013 15h37
São Paulo – Custos de produção vêm caindo e são ainda menores onde já há geração eólica, diz diretor da EPE
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Com custos em queda no mundo todo, a geração de energia solar deve chegar à competitividade até o final da década, no Brasil. A previsão é do engenheiro José Carlos Miranda de Farias, diretor de Estudo de Energia Elétrica da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), ligada ao Ministério de Minas e Energia.

Ele esteve no comitê aberto de energia da Amcham – São Paulo, quinta-feira (26/09), para abordar o potencial brasileiro nessa área. Miranda diz que o governo emitiu resoluções que criaram novas possibilidades de produção. Uma delas incluiu a fonte em leilões para os próximos dois anos, com entrega em cinco e em três anos.

“É o mesmo que ocorreu com a energia eólica. Até 2020, a solar chegará a preços competitivos, segundo prognóstico da própria ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)”, afirma.

Outro fator é o aumento da produção de silício eletrônico, que compõe as placas fotovoltaicas, equipamento mais utilizado para geração de energia solar. O material é o mesmo utilizado em placas de computador e de TV. A grande escala, exemplifica o diretor, possibilitou o barateamento global dos produtos.

Além disso, o diretor da EPE destaca a conjugação de potencialidades solar e eólica. Onde já se produz energia a partir da força do vento, já há condições para a que vem da luz do sol.

Os maiores níveis de irradiação solar no país são justamente onde venta mais, explica o diretor. O lugar com mais incidência desses dois fatores é o interior nordestino.  E a nova produção, a partir da insolação, pode utilizar a mesma transmissão já instalada para a eólica. “O nordeste é o oriente médio da energia renovável”, diz Miranda.

Complemento

O diretor da EPE comenta que as fontes renováveis da matriz brasileira são complementares na segurança energética, uma vez que cada uma tem suas intermitências.

Enquanto a hidrelétrica necessita das chuvas, a biomassa tem seu auge durante a safra da cana, no sudeste. A eólica também tem sazonalidades, assim como a solar. “Mas essa última é que tem menos variações, é a mais constante, só não capta à noite”, cita.

Potencial brasileiro

Atualmente, os projetos de energia solar registrados na ANEEL significam 4500 MW, em 14 estados. A maior parte é relacionada ao sistema fotovoltaico, mas 5,1% são termosolares, que utilizam o calor do sol para gerar vapor, utilizado em turbina.

Habilitados para leilões, há 119 projetos – 110 deles, fotovoltaicos – que irão responder por 3019 MW. “Eles estão na área de maior incidência de irradiação, no nordeste, e vão contar com as redes de transmissão da eólica”, detalha.

O diretor ressalta, ainda, o potencial brasileiro em comparação aos da Alemanha, França e Espanha, onde já existem sistemas de geração e distribuição. A irradiação média espanhola fica entre 1200 e 1850 kWh/m²/ano. A alemã, entre 900 e 1250 kWh/m²/ano. Já a francesa oscila entre 900 e 1650 kWh/m²/ano. No Brasil, a irradiação média é de 1500 a 2400 kWh/m²/ano.

Miranda relata, ainda, projetos que já estão em prática no Norte do país, por meio da Celpa (Centrais Elétricas do Pará). Em comunidades isoladas, a companhia instalou mini-centrais e mini-redes para transmitir energia captada no telhado das residências. “A penetração da energia solar já está acontecendo no país”, diz.