EPE fará leilões anuais de energia solar para ampliar a geração de fontes renováveis

publicado 26/10/2015 10h10, última modificação 26/10/2015 10h10
São Paulo – Governo inclui projetos de energia solar, eólica e biomassa no planejamento dos próximos anos
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Até 2018, o governo vai contratar pelo menos mais 3 GW (gigawatt) de energia solar fotovoltaica, afirma Thiago Barral, superintendente adjunto de projetos de geração da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) do Ministério de Minas e Energia. Cada GW equivale ao consumo de energia de uma cidade do tamanho de Salvador.

“Queremos manter o nível de contratação de energia de 1 GW por ano. Não podemos ir muito além disso, porque senão a conta fica muito cara”, afirma Barral, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo, na sexta-feira (23/10).

Para desenvolver o alto potencial da matriz energética solar, o governo quer realizar leilões de energia solar a cada ano. Trata-se de uma medida já sinalizada no Programa de Investimento em Energia Elétrica – o PIEE , que prevê a contratação de 25 GW a 31,5 GW até 2018, com investimentos de R$ 186 bilhões em geração e transmissão de energia.

Barral disse que a aposta na energia solar é de longo prazo. “Embora a participação da energia fotovoltaica dependa muito da dinâmica do mercado, será a fonte que mais deve crescer entre as renováveis até 2024.” De acordo com a EPE, a participação de Outras Fontes Renováveis (eólica, solar e biomassa) na matriz energética deve chegar a 21% em 2018, e 27% até 2024.

Abundante no Brasil, a irradiação solar é superior ao de países europeus onde o mercado solar é desenvolvido. No Brasil, a irradiação média é de 1500 a 2400 kWh/m²/ano, acima de Alemanha e Espanha. A irradiação média alemã está entre 900 e 1250 kWh/m²/ano, e a espanhola entre 1200 e 1850 kWh/m²/ano.

Leilões de energia solar

O segundo leilão do ano para empreendimentos fotovoltaicos e eólicos está previsto para novembro, com o governo querendo contratar cerca de 1 GWp (gigawatt pico, medida de potência energética de células fotovoltaicas).

Os projetos vencedores de geração de energia terão que entrar em operação até novembro de 2018, por uma tarifa abaixo do preço-teto de R$ 381/MWh (megawatt hora). Neste tipo de leilão, chamado de reverso, ganha quem der o menor lance (deságio).

No primeiro leilão de energia solar em agosto, o montante de 1 GWp de energia solar contratado para 2017 será produzido por 30 empreendedores ao preço médio de R$ 301,79/MWh – um deságio de 14% em relação ao preço-teto de R$ 349/MWh.