Equipe qualificada, flexibilidade e construção de marca foram lições dos empresários em debate na Amcham, afirma professor de Empreendedorismo

por andre_inohara — publicado 27/07/2012 16h48, última modificação 27/07/2012 16h48
São Paulo – No II Encontro de Empreendedores, donos da Casa & Café, Bug Agentes Biológicos e Fom contaram o que fizeram para viabilizar seus negócios.
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Conhecer a visão estratégica e o esforço dos empresários para viabilizar seus negócios é uma possibilidade muito rica de aprendizado.

No II Encontro de Empreendedores da Amcham-São Paulo, realizado na quinta-feira (26/07), foi possível conhecer a trajetória de crescimento de empresas de setores diversos, conhecendo “perspectivas diferentes de negócios diferentes”, segundo Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper.

Nakagawa também é vice-presidente do comitê de Business In Growth (BIG) da Amcham-São Paulo, e foi o moderador do encontro. Para ele, as principais lições extraídas das experiências dos debatedores foram a necessidade de ter pessoas qualificadas, exemplo dado pela Casa & Café, capacidade de adaptação (Bug e Casa & Café) e construção de uma marca forte (Fom).

Leia abaixo a entrevista de Nakagawa ao site da Amcham:

Amcham: Que balanço o sr. faz do II Encontro de Empreendedores da Amcham?

Marcelo Nakagawa: Foi muito enriquecedor, em função da trajetória dos diferentes tipos de negócios. Um deles é o de alta tecnologia (Bug Agentes Biológicos), enquanto os outros vieram de segmentos mais tradicionais. Eles encontraram formas inovadoras decorrentes uso da tecnologia. No caso da agência de empregos domésticos Casa & Café, foi pela internet, e a fabricante de pufes e almofadas funcionais Fom, pelo produto.

Amcham: Quais as principais lições que os debatedores ensinam?

Marcelo Nakagawa: A primeira foi a questão da equipe adequada. Isso foi bem colocado pela Daniele (Neaime, da Casa & Café), que explicou a importância de se ter sócios com diferentes competências. Ela é de RH, um sócio é de Operações e o outro, de TI (Tecnologia da Informação).  Outra lição extraída é que a falta de dinheiro não impede a construção de um grande negócio, como foi o caso da Fom. Sidney (Rabinovitch, sócio-fundador da Fom) começou em casa, costurando os produtos na sala. E a Bug indicou que converter pesquisa em negócio atrai financiamento. Heraldo (Negri, fundador da Bug) mostrou uma empresa que exigia altos investimentos e conhecimento técnico, e conseguiu captar dinheiro junto ao governo.

Amcham: Além de equipes qualificadas e capacidade de transformar ideias em produtos, quais os outros aprendizados?

Marcelo Nakagawa: A Casa & Café soube conciliar o mundo online, com sua agência virtual de empregos, com o offline, que são as franquias de escritórios. A empresa conseguiu conciliar os dois mundos de forma bastante sinérgica. Também temos a construção de uma grande marca, que foi o caso da Fom. Para que ela fosse facilmente lembrada, a Fom optou por começar em quiosques de shopping centers, de modo a que as pessoas fixassem a marca e testassem os produtos.

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Amcham: Enquanto a Casa & Café e a Bug priorizam o modelo acelerado de crescimento, a Fom prefere ir com calma. Qual o formato ideal de expansão?

Marcelo Nakagawa: Ambos os modelos fazem sentido. Para a Fom, o crescimento tem que ser de forma sustentável, onde o fundador concentra toda a influência. Ele quer assegurar que todas as suas franquias presentes e futuras tenham o nível de qualidade que ele exige. Nos outros dois casos, a Casa & Café e a Bug, o crescimento rápido é para garantir o domínio da ideia do negócio e impedir o avanço da concorrência. O negócio de ambos permite esse modelo porque há demanda para eles em vários pontos no País. E a Fom tem tranquilidade de crescer de forma mais lenta, porque domina uma marca bastante reconhecida, e também as várias etapas de produção. Então há um pouco mais de segurança em optar por crescimento cauteloso.

Amcham: De todas as lições, há alguma que se sobressaia?

Marcelo Nakagawa: No estágio em que essas empresas estão agora, uma das preocupações é formar pessoas que ajudem a consolidar o crescimento. Sidney (Fom) tem grande preocupação com seu franqueado. Ele quer saber o quanto o interessado se dedicaria à marca, porque quer empreendedores tocando as operações e não um sócio investidor que compra a franquia e deixa a gestão com os funcionários. Para Daniele (Casa & Café), os franqueados têm que ser gente com bom conhecimento da região. É essa pessoa quem terá que entrevistar a candidata a doméstica ou a babá, conhecê-la e cadastrá-la no sistema. Em suma, tem que ser alguém que more na comunidade e seja muito boa em avaliar pessoas.

Amcham: Nesse contexto, a necessidade de gente qualificada também é importante para a Bug...

Marcelo Nakagawa: O Heraldo (Bug) não explicitou se vai crescer com franquias. Provavelmente, será com filiais, parceiros ou sócios porque o franqueado ou sócio terá que ser muito bom em tecnologia. O parceiro terá que ter mestrado ou doutorado porque a produção de agentes biológicos é muito técnica. Mas, generalizando, todos dependem da qualidade das pessoas. Quando a estratégia está clara, o negócio consolidado e o produto comprova ter apelo comercial, falta desenvolver as pessoas para continuar a crescer.