Estados Unidos e União Europeia disputam mercado de US$ 59 bi por ano no Brasil, aponta estudo da Amcham

publicado 13/08/2019 15h52, última modificação 13/08/2019 17h53
Brasil - Com acordo Mercosul-UE, Europa teria mais vantagens competitivas no mercado brasileiro
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A disputa entre Estados Unidos e União Europeia pelo mercado brasileiro se concentra em negócios de aproximadamente US$ 59 bilhões ao ano, aponta um estudo inédito que fizemos sobre o assunto.

Ao excluirmos as importações de ambas origens com baixo valor de comércio (abaixo de US$ 10 milhões), Estados Unidos e União Europeia concorrem no Brasil em US$ 50,9 bilhões (906 produtos/NCMs).

“Existe um espaço de concorrência direta expressivo entre europeus e americanos no mercado brasileiro, sobretudo em bens industrializados de médio e alto valor agregado”, explica Abrão Árabe Neto, nosso vice-presidente executivo e responsável pela condução do estudo.

Uma das conclusões é que o acordo de livre comércio Mercosul-UE irá conferir maior vantagem competitiva às exportações europeias em relação às americanas, a partir de sua entrada em vigor.

“O acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia vai trazer uma competitividade extra aos europeus. O estudo mostra como seria conveniente e estratégico para Brasil e Estados Unidos avançarem nas tratativas de um acordo”, afirma nossa CEO, Deborah Vieitas.

Setores com tarifas de importação mais elevadas no Brasil, segundo o nosso estudo, tendem a registrar maior potencial de vantagem relativa à UE, com destaque para maquinas e equipamentos, químicos, autopeças, farmacêuticos, plásticos, equipamentos médicos, cosméticos, entre outros.

O universo total de concorrência está atualmente dividido em 55% para a União Europeia (US$ 32,5 bilhões) e 45% para os Estados Unidos (US$ 26,4 bilhões). 

Além dos efeitos da redução tarifária, o acordo diminuirá as barreiras não-tarifárias e exigências burocráticas enfrentadas por produtos europeus no mercado brasileiro.

“Esses elementos devem contribuir para o crescimento das exportações da UE para o Brasil. É esperado, ainda, um aumento dos fluxos de investimentos em razão da maior integração comercial e das perspectivas positivas do acordo”,constata o estudo que divulgamos hoje.  

As preferências tarifárias que passarão a ser desfrutadas pela UE também poderão ser adquiridas em breve por outras economias que negociam acordos de livres comércio com o Mercosul, como EFTA, Canadá, Coreia do Sul e Cingapura. O Brasil importou dessas origens um total de US$ 10,9 bilhões em 2018.

Brasil-Estados Unidos: Uma Parceria mais Ambiciosa

Por criar condições mais favoráveis para o aprofundamento da integração Mercosul-UE, ao eliminar gradualmente as tarifas de importação em um período de 15 anos, o estudo comprova a importância dos Estados Unidos se engajarem em um acordo de livre-comércio com o Mercosul.

Acreditamos que pesa a favor da abertura das negociações o bom relacionamento entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro. “Além da concorrência comprovada neste estudo, acreditamos que a sintonia que existe entre os dois governos ajuda muito no aprofundamento dessa negociação”, explica Abrão Árabe Neto.

No último dia 30/7, publicamos o documento “Brasil-Estados Unidos: 10 Propostas para uma parceria mais ambiciosa”, entregue ao secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, em sua visita ao Brasil.

O desejo de um acordo de livre comércio foi a principal proposta defendida pela Amcham no encontro. “Esse estudo comprova que mais que um desejo, nossa ambição é estratégica para o futuro da relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirma nossa CEO.

No documento, sugerimos um roteiro pragmático para as negociações desse acordo, em conjunto com outras medidas para ampliar o comércio e os investimentos entre os dois países. O documento completo está disponível no site da Amcham Brasil.