Estudantes do Ciência Sem Fronteiras se adaptam rapidamente aos EUA e aprendem novas tecnologias e empreendedorismo, avalia CEO do IIE

por andre_inohara — publicado 31/10/2012 14h45, última modificação 31/10/2012 14h45
São Paulo – Há cada vez mais universidades americanas interessadas em receber bolsistas do programa brasileiro.
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Nos Estados Unidos, os estudantes brasileiros do programa Ciência Sem Fronteiras (CSF) se revelam bastante sociáveis e interessados. Gostam de participar das atividades realizadas nas universidades americanas e usam a rede social para resolver problemas.

Esse é um dos destaques do balanço que o presidente e CEO do Institute of International Education (IIE), Allan Goodman, faz sobre a participação dos bolsistas brasileiros que estudam em universidades americanas. “Não temos feijão preto suficiente, mas os estudantes brasileiros estão se ajustando à comida americana e não estão tendo problemas de adaptação”, garante Goodman, com bom humor.

O IIE é o parceiro do CSF nos Estados Unidos, e trabalha em conjunto com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para matricular e alojar os estudantes brasileiros nas universidades americanas.

Anunciado em julho de 2011, o CSF é um programa criado pelo governo federal que prevê a concessão de 101 mil bolsas de estudo (sendo 75 mil pela iniciativa pública e 26 mil pela privada) na área de ciências duras (exatas) em um período de quatro anos. A meta é contribuir para a expansão da ciência e tecnologia, inovação e competitividade no País. Desde janeiro, cerca de 650 estudantes de graduação estão nos Estados Unidos, e mais 1.500 alunos estão previstos para chegar até o final do ano.

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Após participar da reunião da força-tarefa de Ciência Sem Fronteiras (CSF) da Amcham-São Paulo na segunda-feira (29/10), Goodman conversou com a Amcham sobre o balanço do programa nos EUA. Veja abaixo a entrevista:

Amcham: Praticamente um ano após inicio do CSF, como está a procura por universidades americanas?

Allan Goodman: O interesse dos estudantes pelo programa está bem acima do que muitos esperavam. Temos recebido mais matrículas, mas as notícias realmente boas são que mais universidades americanas ouviram falar do programa, o que está criando um novo lugar para o Brasil nos EUA.

Amcham: Que desafios os estudantes brasileiros enfrentam nos EUA?

Allan Goodman: Os estudantes brasileiros não estão tendo problemas de adaptação. Eles fazem relacionamento rapidamente, usam o Facebook para resolver problemas e gostam de aproveitar todas as atividades dos campi americanos. Eles se adaptam depressa, são bem extrovertidos e também muito orgulhosos de sua cultura. Os americanos aprendem mais sobre o Brasil, especialmente por conta da chegada das Olimpíadas. Então, vocês estão nos mandando não apenas bons estudantes, mas muitos embaixadores culturais.

Amcham: Os EUA têm forte cultura de empreendedorismo. Como isso pode ser ensinado aos estudantes brasileiros dentro do CSF?

Allan Goodman: Quase todos os seus estudantes estão em universidades que se relacionam com parques industriais. Eles estão no Vale do Silício e em centros de empreendedorismo, onde o que é feito pelas universidades se torna negócio. O que é descoberto pelas universidades se transforma em empreendedorismo, então os estudantes têm contato em primeira mão com o que acontece nas universidades e têm aplicação prática em negócios empreendedores.

Amcham: Empreendedorismo é parte do conteúdo escolar?

Allan Goodman: É parte da vida das instituições porque há muito diálogo com departamentos de ciência e engenharia que promovem empreendedorismo e criam novos negócios e processos. Nossas universidades têm encorajado isso. Não se trata apenas de aprender nas salas de aula coisas que não têm relação com os negócios. Ambas as coisas são ensinadas em conjunto.

Amcham: A Amcham apoia o CSF ajudando a viabilizar estágios no exterior. Como a iniciativa privada pode ajudar mais nesse sentido?

Allan Goodman: Vejo muito entusiasmo das companhias americanas e brasileiras com o programa. A Boeing e a GE, por exemplo, criaram programas de orientação em que os estudantes têm apoio e estágio, podendo voltar ao Brasil e continuar o aprendizado. As suas e nossas indústrias realmente abraçaram de forma sem precedentes o programa de educação.

Amcham: Os EUA têm um programa similar de intercâmbio estudantil, o ‘100,000 Strong in the Americas’. Como o IIE apoia esse programa?

Allan Goodman: Estamos ajudando e incentivando o programa, especialmente para que nossos jovens façam o mesmo [que os brasileiros] e tenham experiência educacional e estágios em outro país, vendo como o empresariado, governo e academia trabalham juntos. É tão importante para o futuro de nossos jovens como é para o dos seus.

Amcham: Que lições a América Latina e o Caribe têm a oferecer aos estudantes americanos?

Allan Goodman: Creio que estão nos ensinando a olhar para dentro. Observamos o Ocidente e Oriente, mas ao sul de Washington, e dos EUA, há um amplo continente e povos que podem ser nossos amigos e parceiros em negócios e inovação no futuro.