Executivos do setor privado ressaltam necessidade de mais investimentos para acelerar infraestrutura e qualificação da mão de obra, diz chefe de Relações Governamentais do BNDES

por andre_inohara — publicado 31/08/2012 18h01, última modificação 31/08/2012 18h01
São Paulo – Preocupações dos executivos presentes na Amcham revelam otimismo e foco em crescimento, na avaliação do representante do banco.
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Para continuar crescendo, o setor privado considera prioritário ter uma estrutura logística de primeiro mundo para escoar a produção de forma mais eficiente, e maior oferta de profissionais qualificados para tocar todos os projetos de modernização.

Essas preocupações caracterizam otimismo e foco em crescimento, de acordo com Antonio José Alves Junior, Chefe do Departamento de Relações com o Governo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

“Estou convencido de que as ações do governo brasileiro e do BNDES estão alinhadas com as perspectivas de longo prazo que os representantes do empresariado na Amcham preservam”, afirmou o representante do BNDES.

Na reunião da força-tarefa de Relações Governamentais da Amcham-São Paulo desta sexta-feira (31/08), Alves dialogou com executivos de empresas associadas à entidade e falou sobre as ações do banco para fomentar projetos ligados a infraestrutura, inovação e comércio exterior.

Veja aqui: Crédito à inovação precisa ser de longo prazo, estável e aceitar mais risco, orienta executiva do BNDES

“É importante para quem está em uma posição de relação com o governo como eu poder ouvir o que o setor privado pensa. Sabemos que, à medida que o governo atende algumas dessas demandas, pode liberar mais investimentos para o País crescer mais”, observa.

A função de Alves é manter relações políticas com os demais órgãos públicos. “A existência de um departamento para a articulação com os demais órgãos de governo revela a intenção de o banco andar o mais junto possível com as políticas públicas e entender as demandas”, explica.

Alves cita o programa de investimentos em rodovias e ferrovias, anunciado em 15/08. “Se o governo opta por determinado modelo de concessão de rodovias, o BNDES desenvolverá uma linha de financiamento de acordo com a capacidade de retorno daquele projeto e das empresas ou governos (estadual ou municipal) que vão assumi-lo.”

Cenário macroeconômico deve incentivar procura por crédito do BNDES

Os juros abaixo de mercado das linhas de financiamento do banco tendem a cair ainda mais em função de uma conjuntura econômica favorável, disse Alves. Ele menciona a redução da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que corrige os empréstimos do BNDES e caiu de 6% para 5,5% ao ano.

“A queda do spread – diferença entre a taxa com que os bancos captam dinheiro e a com que emprestam – faz com que o custo de financiamento caia muito. Para os empresários, isso faz uma diferença enorme”, argumenta.

No futuro, a tendência de estabilidade econômica vai fazer com que o banco volte a se concentrar no desenvolvimento brasileiro. “Hoje exercemos o duplo papel de promover ações anticíclicas – crédito a juro reduzido para a infraestrutura – e sustentar projetos de crescimento. No futuro, essa crise vai acabar e o BNDES se voltará à sua função principal de fomento”, avalia.

Desafios do BNDES

Em um cenário pós-crise, um dos principais desafios do BNDES será atrair as instituições financeiras privadas para financiar projetos inovadores de longo prazo. “Junto com outros órgãos de governo e até com outras instituições financeiras como o Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), estamos nos esforçando para aumentar essa participação”, segundo Alves.

A característica de projetos inovadores é o alto risco de retorno, e é preciso definir o formato de financiamento. “Mas não é por ser arriscado que não vamos entrar. Não interessa só dar dinheiro, o processo tem que favorecer a criação de novas tecnologias”, afirma.

Alves também reforçou a prioridade em infraestrutura e comércio exterior. Para financiar um trem de alta velocidade, é preciso criar mecanismos elaborados. “É uma estrutura cara e tecnologicamente sofisticada, que vai envolver muito fornecedores em projeto de longuíssimo prazo”, segundo o representante do banco.

“Temos que arranjar funding e meios para esse tipo de financiamento. Um dos esforços é atrair bancos privados e outras empresas financeiras para se associar ao BNDES nesse esforço de longo prazo”.

Outro desafio são as exportações. Para garantir o acesso aos mercados internacionais, os empresários vão precisar de crédito. O Brasil deve continuar líder nas exportações de soja, carnes e metais, mas também tem potencial para aumentar as vendas de máquinas, equipamentos e aviões.

“Sustentar esses setores e ampliar presença em outros tecnologicamente avançados, especialmente bens de capital, indústria aeronáutica e automobilista, precisaremos de maior capacidade de financiamento do comércio exterior.”

Veja aqui: Integração entre as políticas de desenvolvimento tecnológico e de comércio exterior são via para acelerar inovação no Brasil