Expansão da geração hidrelétrica incentiva crescimento de outras fontes renováveis, diz EPE

publicado 16/11/2016 11h48, última modificação 16/11/2016 11h48
São Paulo – Para Emílio Matsumura, nenhum país com alto potencial hidrelétrico deixou de aproveitar o recurso
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O desenvolvimento de fontes de energia solar e eólica depende da expansão da fonte hidráulica, disse Emílio Matsumura, assessor da presidência da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). “A complementaridade entre as fontes renováveis precisa ser utilizada. Se ela não acontecer, talvez a meta de 23% de energia solar, eólica e de biomassa assumida pelo Brasil na cúpula do clima fique mais difícil de alcançar”, afirmou, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo na sexta-feira (11/11).

Até 2030, o Brasil se comprometeu na COP-21 de Paris a gerar 45% de sua energia por meio de fontes renováveis. Para atingir o objetivo, a forma encontrada é aumentar a parcela de participação de fontes eólica, biomassa e solar no fornecimento de energia elétrica em pelo menos 23%. Como a energia gerada pelo vento e sol não podem ser geradas de forma contínua, precisam ser complementadas com uma fonte estável, a exemplo da hidráulica. Quando não houver vento ou sol, a água estocada nos reservatórios pode ser usada para movimentar as usinas hidrelétricas e gerar energia.

A combinação entre fontes diminui o risco de desabastecimento, assegura Matsumura. “Por exemplo, ao contratar energia da solar ou eólica, há elementos que permitem reduzir o risco, como a presença das hidrelétricas. Sem a fonte hidráulica, pode haver problemas com a forma de inserção e comercialização dessas fontes de energia, pois o produtor terá que assumir mais riscos.”

Para o especialista, usar o potencial hidrelétrico brasileiro remanescente é importante, mas cabe à sociedade decidir sobre sua utilização. "Se ela não quiser explorar o recurso, teremos que pensar em outros modelos de crescimento. Mas não conheço nenhum país do mundo que não tenha aproveitado todo o seu potencial hidrelétrico”, assinala.

 Matsumura se refere ao projeto de construção da usina hidrelétrica São Luiz do Tapajós, no Pará. A usina terá 8 gigawatts de potência instalada e capacidade de gerar uma média de 6,3 gigawatts de energia por ano, volume suficiente para atender cerca de 20 milhões de residências. O projeto está parado desde 2014 por falta de licenciamento ambiental.

Desde que a nova gestão assumiu em junho, liderada por Luiz Barroso, a EPE tem buscado diálogo com o setor privado em relação ao desenvolvimento da matriz energética e outros temas. “Também queremos ouvir do empresariado ideias inovadoras, para construir um modelo energético que seja referência em indução de desenvolvimento.”

Em função da mudança de comando, o Plano de Desenvolvimento Energético (PDE) do período 2016 a 2025, que seria divulgado em dezembro, foi adiado para o primeiro semestre de 2017. O PDE contém projeções sobre a expansão da matriz energética brasileira no período de uma década.