Exportações precisam migrar do “Made in Brazil” para o “Made in the World”

publicado 17/05/2016 11h26, última modificação 17/05/2016 11h26
São Paulo - Países que mais exportam no mundo, incorporam em seus produtos alto percentual de insumos importados, mostra professor da FGV
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O Brasil deve se reindustrializar ou deve seguir o caminho de outras economias e mudar seu modelo industrial? A questão foi levantada pelo professor  Lucas Ferraz, que Coordena o Núcleo de Modelagem do Centro do Comércio Global e Investimento da FGV, no lançamento do estudo Alternativas do Brasil, feita pela Fundação sob encomenda da Amcham, no último dia 9/5. Confira aqui apresentação completa do professor Lucas Ferraz. 

O professor argumenta que mais do que efeito da desvalorização recente do câmbio, o encolhimento da indústria brasileira em relação ao PIB é um processo longo, que vem ocorrendo desde o final da década de 70 e início dos anos 80. O pico da participação dos produtos industriais no PIB nacional foi 21% em 1977.  Hoje é de cerca de 14%.

O processo de desindustrialização e crescimento da participação dos serviços no PIB ocorreu não só no Brasil, mas na América Latina, OCDE e África. Apenas na Ásia, os produtos industriais aumentaram participação no PIB, entre 1980 e 2010, de 23% para 28%.

Esse processo, lembra o professor, ocorre simultaneamente com a mudança do padrão do comércio global.  A partir do final dos anos 70, os bens finais passaram a perder espaço para os bens intermediários  no comércio internacional. Como mostra Lucas Ferraz, a participação de insumos importados, incorporados aos produtos exportados é cada vez maior no comércio internacional.

Países como China, Coréia e México, embutem mais de 30% de insumos importados nos produtos que exportam, enquanto o Brasil incorpora 11%, distante da tendência mundial. O que se vê cada vez mais é o “made in the world”, mas nós insistimos no “made in Brazil”, diz Lucas Ferraz, fora do novo paradigma. Entre os maiores participantes do comércio mundial, só ganhamos da Rússia nesse quesito.

O fechamento ao comércio global, aponta Lucas, coincide com a perda de produtividade das indústrias. Os números mostram que quanto menos produtivo o país, maiores as barreiras comerciais. O Paquistão que tem o recorde de 68,1 em barreiras regulatórias, é também um dos menos produtivos. Enquanto Coréia, Canadá e Austrália, ficam entre 15 e 20 pontos de barreiras regulatórias. Infelizmente o Brasil está mais próximo do Paquistão do que dos mais produtivos.

 A síntese completa do estudo sobre Acordos Comerciais da Amcham/FGV está disponível, clicando aqui.