Formação de capital humano é maior prioridade para Brasil alcançar crescimento sustentável, mostra enquete da Amcham

por marcel_gugoni — publicado 21/09/2012 10h43, última modificação 21/09/2012 10h43
São Paulo - Educação apareceu como unanimidade entre propostas sobre o Brasil deve fazer já para crescer 5% pelas próximas duas décadas.
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As empresas são formadas por pessoas. E só com a formação de mais e melhor capital intelectual a economia do Brasil pode crescer mais e de forma sustentável. A educação aparece como grande prioridade para o empresariado entre propostas sobre o que o Brasil deve fazer já para crescer 5% pelas próximas duas décadas. A sondagem foi conduzida durante seminário que a Amcham-São Paulo promoveu nesta quinta-feira (20/09) junto a um público de mais de 200 executivos.

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Dois painéis foram realizados durante o evento, do qual participaram empresários e economistas. A primeira rodada de perguntas contou com um compilado de ações sugeridas por economistas. A segunda rodada veio de sugestões de representantes do empresariado.

No que toca às propostas dos economistas, 32% dos respondentes disseram que a ênfase da política de desenvolvimento deveria recair sobre a formação de capital, tanto físico quanto humano.

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Para 17%, a prioridade é reduzir a desconfiança mútua existente entre o governo e iniciativa privada a fim de abrir espaço para elevação dos investimentos para a ordem de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e permitindo uma maior participação da iniciativa privada em leilões e grandes projetos.

Promover o crescimento sustentável aproveitando o bônus demográfico e aumentando a produtividade do trabalho foi o caminho priorizado por 15% dos respondentes.

Melhorar a competitividade dos bens comercializáveis internacionalmente, reconfigurando a pauta com a incorporação de padrões tecnológicos mais avançados, como fator vital para garantir expressivos superávits comerciais, é a opção indicada por 10% dos participantes da pesquisa.

Para outros 10%, o caminho do desenvolvimento pressupõe novas bases de diálogo entre o estado e o mercado. Os avanços necessários requerem diferentes formas de parcerias público-privadas.

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A livre negociação salarial e a simplificação da relação entre empregador e empregado é prioridade para 8%, o que ajudaria a gerar 150 milhões de empregos no Brasil.

A reorientação da condução da política econômica para permitir estabilidade de preços em um ambiente de elevado crescimento é o ponto principal para 4%. Outros 3% dizem que é preciso assegurar uma trajetória adequada para os salários reais em face das rápidas mudanças na oferta de trabalho, particularmente (mas não apenas) em termos de disponibilidade de mão de obra qualificada.

Segundo painel

Diante das propostas apresentadas pelos empresários, 30% dos respondentes dizem que a prioridade é transformar a educação em alicerce de crescimento e competitividade do Brasil através da elevação do investimento percentual do PIB para 10%.

Duas respostas empataram na segunda colocação das prioridades: 15% dizem que é preciso tanto expandir a capacidade como a qualidade educacional do nível técnico e universitário; e que é necessário revisar e desonerar a carga tributária tendo como premissa os princípios da essencialidade, fator gerador de riqueza e índice de nacionalização.

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A diminuição do Custo Brasil é demanda de 11% dos participantes. O mesmo percentual diz que, para a infraestrutura, é preciso de investimentos através de parcerias público-privadas para assegurar o livre fluxo de mercadorias através de portos, rodovias e ferrovias.

A desoneração de encargos para tornar a indústria instalada no Brasil globalmente competitiva, viabilizando assim exportações com elevada agregação local de valor, vem em seguida, conforme 9%.

Para 5%, é necessário maior estímulo à poupança e ao investimento, enquanto o foco na geração de empregos como fator vital para o crescimento da economia surge como caminho para 3%.

Propostas

Gabriel Rico, CEO da Amcham, diz que a principal mensagem que os debates e as sondagens do evento passam é que “não podem terminar aqui”. “Vamos dar continuidade a esse conjunto que foi discutido”, adiantou.

Para novembro, a Amcham prepara novo seminário sobre as reformas inadiáveis, que prevê interlocução com um grupo de parlamentares a respeito dos caminhos que começaram a ser indicados nesta quinta-feira (20/09).

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“O conteúdo deste seminário será levado a um conjunto de parlamentares verdadeiramente imbuídos do propósito de melhorar o País”, afirmou Rico durante o evento. “Levaremos a eles elementos concretos para que eles se mobilizem e possam levar o Brasil adiante em suas reformas inadiáveis.”

“Muitas coisas maravilhosas apareceram. A relação do setor privado e público precisa evoluir. Eles têm que dar as mãos porque, se o setor privado tem mais qualificação, o público tem mais recursos. A gestão da educação também é da maior importância, assim como a inserção do setor privado em infraestrutura se faz necessária.”