Formação e cultura voltada ao digital são essenciais para o Brasil criar fábricas inteligentes

publicado 19/07/2017 16h50, última modificação 20/07/2017 09h41
São Paulo – Marcos Troyjo (Columbia University) e Rodrigo Damiano (PwC) destacam importância da educação no processo
Marcos Troyjo

Marcos Troyjo, da Columbia University: sem a capacidade de dominar novos conhecimentos, o Brasil ficará cada vez mais para trás na corrida da competitividade

Para Marcos Troyjo, professor da University of Columbia (EUA), a educação é a chave para formar os profissionais e empreendedores que vão operar no cenário definido pela Indústria 4.0 – uso de automação e tecnologias digitais para tornar a produção das fábricas mais inteligentes e customizadas.

“A matéria prima da quarta revolução industrial [proposta pela Indústria 4.0] é o talento, em vez de manufatura. Nesse novo cenário, se você chegar aos 25 anos e não tiver os equipamentos intelectuais e de treinamento necessários para exercer funções produtivas, como a computação em nuvem, nanotecnologia ou big data, você vai ficar inútil para esse mundo do ‘talentismo’”, observa, no Fórum Indústria 4.0: A era da manufatura avançada da Amcham – São Paulo na quarta-feira (19/7).

Outro painelista do evento, Rodrigo Damiano, diretor da consultoria de operações da PwC, apresentou uma pesquisa de 2016 sobre as vantagens competitivas da aplicação de tecnologias digitais na produção.

Isso porque dominar as habilidades necessárias para atuar em mundo altamente influenciado por tecnologias digitais não garante apenas a criação de conhecimento, mas também a capacidade de operá-lo e vencer a obsolescência, segundo Troyjo.

O raciocínio do especialista é que, se a atividade profissional exercida em manufaturas tradicionais for previsível e cheia de rotinas, uma hora será reproduzida por um algoritmo. Que, por sua vez, vai transformar a função profissional em um programa de computador ou rotina de robô que fará ela desaparecer, argumenta.

PwC

De acordo com Damiano, da PwC, a necessidade de preparação formal para um novo cenário foi percebida em vários países. A falta de cultura digital e treinamento dos países pesquisados, mesmo onde a Indústria 4.0 é mais difundida, é uma das conclusões da pesquisa que mais chama a atenção, segundo o executivo.

“No Brasil, o tema é considerado o segundo mais relevante, perdendo apenas para a segurança e privacidade de dados. O curioso é que, em outros países, esse tema é o primeiro em importância”, comenta Damiano. O motivo o Brasil ainda não superou a carência de infraestrutura de dados. “Temos muito que evoluir no quesito da segurança”, reforçou o executivo.

Outra conclusão do estudo é que a digitalização industrial ainda é pouco consolidada nas empresas brasileiras, mas apresenta tendência de crescimento. Atualmente, o nível de interesse da indústria rumo à informatização é baixo, pois apenas 9% dos respondentes admitiram que estão levando em conta o assunto. Para efeito de comparação, o interesse do resto do mundo é de 33%.

No entanto, o nível de maturidade do Brasil em relação à informatização industrial nos próximos cinco anos vai subir para 72%, mesmo percentual do resto do mundo. “O crescimento das tecnologias digitais na produção vai ser mais acelerado no Brasil”, comenta Damiano.

Além disso, mais de 50% dos pesquisados acreditam que o faturamento relacionado ao uso de tecnologias digitais na produção vai aumentar pelo menos 10%. “Esses ganhos estarão relacionados a novos portfólios de produtos e serviços, com ganhos de eficiência e adequação de linhas de produção”, segundo o executivo.

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