Fusões, aquisições e fundos de investimento são as áreas mais demandadas para gestores financeiros

por andre_inohara — publicado 16/10/2012 16h45, última modificação 16/10/2012 16h45
São Paulo – Segmento de médio porte (middle market) está aquecido e abre novas oportunidades para esses profissionais.
fabio_saad_195.jpg

O aquecimento do segmento de middle market (médio porte) e a queda dos juros estão exigindo que os executivos financeiros reciclem seus conhecimentos, de forma a aproveitar os desafios trazidos pela mudança de cenário econômico.

Os executivos financeiros que souberem preparar e conduzir operações de compra de empresas, realizar captação de recursos no mercado nacional e estar atualizados em estruturação financeira e tributária terão vantagem, indica Fábio Saad, gerente sênior da empresa de recrutamento na área financeira Robert Half.

Veja aqui: Empresas que desenvolvem bom uso dos pilares de gestão crescem de maneira sustentável

“A tendência do mercado de fusões e aquisições (F&A) é migrar para o middle market, ou seja, de empresas de R$ 100 milhões a R$ 1 bilhão [de faturamento anual]. Muitos profissionais de bancos de investimento estão saindo para abrir boutiques e fundos voltados ao segmento”, afirmou o executivo, durante o comitê de Finanças da Amcham-São Paulo em nesta terça (16/10).

Estimado em R$ 2 trilhões, o mercado brasileiro de F&A tem forte demanda, mas mudou depois de 2008. “Cerca de 40% das operações desse tipo são cross-border – quando a matriz, independente da região, faz a operação – e estende para a filial brasileira”, argumenta Saad.

A mudança do ambiente econômico também torna mandatória a atualização de conhecimentos sobre o mercado de capitais. Para atender à nova demanda, muitos profissionais estão migrando não só para boutiques de investimento, como também para fundos de private equity e venture capital.

“A possibilidade de um CFO (diretor financeiro) conduzir hoje um IPO (sigla em inglês para oferta inicial de ações) é pequena”, explica. Entre janeiro e setembro, somente quatro operações desse tipo foram registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“O conhecimento em RI (relações com investidores) e mercado de capitais, muito demandado entre 2007 e 2008, é algo que hoje só é procurado entre as companhias de capital aberto. Já que os profissionais dificilmente participarão de IPOs, estão migrando para fundos de private equity”, constata Saad.

Se a bolsa de valores e a economia não vivem sua melhor fase, a saída é atuar em fundos, justifica. “No Brasil, existem 150 fundos, enquanto há mais de três mil deles nos Estados Unidos”, compara o executivo da Robert Half.

Veja aqui: Mudança de cenário exige do gestor financeiro um papel estratégico maior, de acordo com sócio da PwC

Captação de recursos e proteção financeira

Além de captar recursos via investidores, as empresas também podem fazê-lo via empréstimos. Para isso, o gestor financeiro tem que estar atualizado sobre as novas condições macroeconômicas e outros temas ligados a tributos. “Hoje não é mais viável emitir dívida em renda fixa no exterior [via bonds ou debêntures] por conta da restrição desse mercado de crédito.”

A saída é captar recursos no Brasil, em função da redução de juros pelo governo e consequente queda das taxas das instituições financeiras nacionais. “A preferência é captar recursos nos bancos nacionais, algo muito mais familiar em termos de operação e menos arriscado que as captações que envolvem investidores externos”, detalha.

Mas não foi só a captação de recursos que mudou. A gestão financeira tem que ser mais criteriosa. “A tesouraria deixou de ter o apelo de aplicações em derivativos e mercados futuros para aumentar a alavancagem financeira, e agora as operações têm que servir como proteção contra imprevistos”, acrescenta Saad.

Ademais, as recentes medidas apresentadas pelo governo para promover a competitividade industrial têm que ser acompanhadas de perto para identificação de impactos sobre as empresas.

Perfil mais preditivo

No novo cenário macroeconômico, as atribuições do executivo financeiro também se transformaram. “O foco corporativo exige eficiência financeira e insight estratégico e operacional”, disse João Carlos Castilho Garcia, presidente da Anefac  (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Garcia usou dados da Pesquisa Global de CFOs da IBM, de 2010, que detalha o novo perfil do gestor financeiro. De acordo com o estudo e seguindo critérios de eficiência financeira e insight estratégico, há quatro perfis de CFO. O mais elevado, que une alta eficiência e capacidade intuitiva, é o ‘Integrador de Valor’.

“Ele sabe reter e desenvolver talentos com habilidades analíticas para o negócio, além de antecipar ações por meio de análises de tendências”, explica Garcia. Para o dirigente, um CFO tem que pensar como um diretor presidente (CEO). “As atividades financeiras precisam ser aperfeiçoadas, pois geram reflexo no resultado da empresa e afetam o desempenho, orçamento e bônus da companhia”, afirma.

Veja aqui: Automatizar processos na área financeira traz ganhos de eficiência e prepara empresa para crescimento