Gestão eficiente da cadeia de suprimentos será diferencial competitivo do setor logístico

por andre_inohara — publicado 18/04/2012 18h04, última modificação 18/04/2012 18h04
São Paulo – Empresas terão que tornar os sistemas logísticos mais rápidos e eficientes para enfrentar a concorrência.
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Tornar a cadeia de suprimentos mais sincronizada e colaborativa é um dos grandes desafios atuais do setor logístico para compensar a perda de eficiência por conta dos gargalos de infraestrutura. Para Dainel Bio, gerente de Desenvolvimento de Negócios da consultoria de gestão SAP, a competição no setor logístico tende a se acirrar no futuro e as ferramentas de gestão terão papel importante na redução de custos e melhora de processos.

“Independente de softwares ou gestão de processos, a gestão da cadeia de suprimentos é o diferencial competitivo para as grandes empresas”, ressalta Bio, que participou do comitê de Logística da Amcham-São Paulo realizado nesta quarta-feira (18/04).

As soluções para a gestão de transportes que a SAP oferece incluem a melhora da qualidade do fornecimento de soluções e serviços. “Também oferecemos monitoramento de cargas, com possibilidade de acompanhamento em soluções móveis [com uso de rádio, GPS e outras ferramentas]”, comenta.

O tema do comitê foi “Tecnologia da Informação – Estratégia para Redução de Custos e Melhoria de Processos Logísticos”, e discutiu as soluções que o setor de Tecnologia da Informação (TI) tem oferecido aos operadores logísticos para o aumento de eficiência.

Com essa reunião, a Amcham encerra o ciclo de debates ‘Gestão x Gargalos de Infraestrutura’, série de encontros do setor logístico para analisar como as empresas estão se estruturando para compensar os gargalos de infraestrutura do País.

Veja aqui as outras palestras do ciclo de debates: Setor de logística automatiza processos para minimizar gargalos de infraestrutura

Frente a gargalos de infraestrutura, setor de logística trabalha para reter e motivar profissionais como forma de garantir competitividade

No encontro, a SAP e a IBM debateram sobre as ferramentas de tecnologia da informação (TI) que estão otimizando a logística de transportes e armazenagem de produtos.

Na IBM, o foco está na oferta de serviços de gestão estratégica. “Em termos de planejamento estratégico, há muita evolução na parte analítica, aumentando a rapidez e visibilidade de ferramentas de rastreabilidade e otimização de processos. O que antes demorava meses, agora demora semanas”, segundo Reinaldo Yocida, executivo de Soluções de Software da IBM.

A empresa desenvolve sistemas mais precisos de comportamento de demanda, impacto de ações promocionais na cadeia produtiva e gestão de vendas. “Tentamos antecipar o que o mercado deseja em termos de serviços e custos”, afirma.

Já a Flora, fabricante de artigos de higiene e limpeza, falou de sua experiência como usuária de serviços de logística. Subsidiária do grupo JBS, a empresa tem corrido para realizar aquisições de empresas e marcas para sustentar a sua estratégia de crescimento acelerado.

Diante do aumento de tamanho, o gerente de Planejamento da Flora, Villeon Jacinto, disse que a empresa enfrenta vários desafios logísticos, como a procura por locais para a instalação de fábricas, oferta de produtos e distribuição. “Não posso ter ruptura nem excesso de estoques e serviços nesse momento”, assinala o gestor.

A parceria da Flora com a IBM

A Flora escolheu a IBM para desenvolver soluções estratégicas. Com sistemas de gestão mais precisos, as análises de mercado e movimentação logística mostraram logo sua eficácia. Depois de dois meses de implantação, o novo sistema entrou em operação em março. Fazendo um balanço do primeiro mês de funcionamento, dados preliminares da Flora revelam que a administração de estoques melhorou.

A administração de 4 mil itens de estoque, que demorava uma semana, diminuiu para quatro horas, segundo Jacinto. “É claro que, para isso, também dependo de um bom plano de vendas. Se esse departamento me passar dados irreais, não terei o retorno esperado”.

A incidência de ruptura de estoques (ausência de produtos para comercialização) caiu 20% e a queda de 2% no custo de distribuição também foram algumas conquistas possibilitadas pelo novo sistema, enumera Jacinto. Os bons resultados foram uma conquista da empresa e do prestador de serviços. “É importante ter uma equipe qualificada e preparada, apoio da empresa e uma parceria adequada”, elogiou o executivo.

Adoção de sistemas de monitoramento de cargas por transportadoras

Maurício Fabri, diretor da Associação Brasileira de Logística (Abralog), também presente ao comitê, defendeu que as empresas de transporte logístico, responsáveis pelo trânsito de mercadorias das indústrias, precisam aperfeiçoar os sistemas tecnológicos de gestão em monitoramento de cargas. De acordo com a Abralog, uma comunicação eficiente entre a indústria e o operador ajuda a diminuir problemas ligados ao desabastecimento de produtos nos clientes.

“Uma indústria contrata uma gama de cinco a vinte transportadoras. Dessas operadoras, apenas duas ou três oferecem tecnologia de ponta em monitoramento de carga, como sistemas em que o motorista informa a situação de entrega pelo computador online”, disse Fabri.

O controle de entrega de produtos é um fator crítico para as empresas, principalmente no varejo. “Há casos de falta de produto nas gôndolas por divergência de entregas. Muitas vezes o transportador não comunica esse fato à empresa, que só descobre uma semana depois, quando o estoque do cliente acaba”, acrescenta Fabri.

Para o diretor da Abralog, o desafio é integrar as principais ferramentas de gestão de transporte existentes no mercado, de modo a que elas produzam informações mais precisas. As mais comuns são:

- Software TMS (Transportation Managment System)

- Roteirizador de entrega e coleta de produtos

- GPS / rastreadores de cargas

- Monitoramento de entregas

- Agendamento de coletas e entregas

Os custos com transportes representam cerca de 30% a 40% dos gastos logísticos totais, disse Fabri. Por isso, a adoção de sistemas de gestão logística mais rápidos, abrangentes e precisos é uma forma de obter vantagem competitiva.

Além de investir em modernização dos sistemas, as empresas também precisam trabalhar a capacitação dos operadores que vão manusear as novas tecnologias, pois ainda “falta gente qualificada para operar os sistemas”.