Governo estimula empresas a absorver os primeiros formandos do programa Ciência Sem Fronteiras

por andre_inohara — publicado 03/05/2013 16h38, última modificação 03/05/2013 16h38
São Paulo – Cerca de dez mil estudantes com formação diferenciada devem retornar ao País até dezembro
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Com a formatura dos primeiros estudantes financiados pelo programa Ciência Sem Fronteiras (CSF), o governo federal pretende que eles sejam rapidamente absorvidos pelas empresas instaladas no país. Uma das iniciativas foi a criação de uma página eletrônica com estágios e empregos no site do CSF, reunindo informações de bolsistas à procura de emprego e empresas que buscam profissionais especializados.

No portal, as vagas anunciadas podem ser tanto no Brasil como no exterior. Márcio Ramos de Oliveira, coordenador-geral do Ciência Sem Fronteiras, participou da Força Tarefa do CSF da Amcham – São Paulo na sexta-feira (03/05), para estreitar a parceria com o setor privado e debater como as empresas com atividades no Brasil podem viabilizar o aproveitamento desses estudantes aqui e nos países onde elas também operam.

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Em 2013, dez mil alunos devem retornar ao País. “Eles vêm com bagagem diferenciada de cultura, língua e experiência acadêmica e tecnológica”, observa Oliveira. Com essa experiência, há a preocupação do governo de que esses estudantes acabem indo trabalhar no exterior - o que foge ao objetivo do programa, de produzir tecnologia e inovação nacionais.

O CSF é gerido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), órgão subordinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Vagas e contratações

Operando desde março, o portal de empregos e estágios do CSF já cadastrou mais de 4 mil bolsistas e ex-bolsistas, além de 10 mil empresas. Em três semanas, o volume de acessos chegou a 52 mil, comenta Oliveira. Atualmente, há 54 vagas publicadas, de 25 empresas.

Os estudantes preenchem um cadastro com sua experiência e área de interesse, enquanto as empresas anunciam os empregos disponíveis e o perfil desejado. “Institutos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) também podem oferecer vagas”, destaca Oliveira. E a partir de junho, o portal aceitará vagas de estágio no exterior.

A página do CSF também trará estatísticas. Nos dois anos de existência do programa, foram concedidas 20 mil bolsas. De acordo com Oliveira, serão oferecidas mais 25 mil bolsas até o fim do ano, somando 45 mil. Até 2015, o governo deverá ter cumprido a meta de financiar 101 mil bolsistas, assegura o gestor.

Das 20 mil bolsas em andamento, 4,3 mil são para cursos nos EUA, o destino mais procurado. Portugal e França vêm em seguida, com aproximadamente 2,6 mil bolsas cada. A engenharia é o curso mais procurado, seguida de ciências biológicas.

Apoio

A Amcham apoia o programa Ciências Sem Fronteiras, convidando empresas com operações no exterior a contratar estudantes bolsistas para que eles complementem sua experiência acadêmica com atuação prática. Para viabilizar essa atuação, a entidade assinou acordos com o CNPq e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para a divulgação das vagas.

Outra iniciativa foi a criação de uma força-tarefa voltada a discutir ideias e promover a troca experiências para permitir o avanço da iniciativa dos estágios. “A Amcham também é uma parceira, ao divulgar o programa junto à sua base de associados”, afirma Oliveira.

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Fullbright

Nos Estados Unidos, a Comissão Fullbright é uma das interlocutoras do CSF junto às universidades americanas. De acordo com Luiz Loureiro, diretor executivo da Comissão Fullbright, há 581 estagiários do CSF em 178 empresas. Outros 150 alunos brasileiros estão trabalhando com pesquisas nas universidades.

“É um número bastante grande, ao que se chegou com a ajuda da Amcham e de cada uma das empresas e universidades”, destaca Loureiro. No entanto, algumas limitações impedem o crescimento desse volume.

A principal delas é a barreira do idioma, aponta Loureiro. É por isso que o MCTI criou o programa Inglês Sem Fronteiras, curso online de idiomas voltado aos bolsistas que não atingiram o nível desejado para acompanhar as aulas em outra língua.

Aprendizado acadêmico e pessoal

De volta ao Brasil no início do ano, a estudante de engenharia de computação Gabriela Botelho fez parte da primeira leva de bolsistas do CSF e agora faz estágio em uma startup brasileira.

Nos Estados Unidos, Gabriela estudou na tradicional Universidade Dartmouth, em Massachussets. “Também tive a oportunidade de conhecer Harvard e o MIT – Massachussets Institute of Technology”, afirma ela.

A flexibilidade da grade curricular americana foi uma das gratas surpresas da estudante brasileira, que aproveitou para frequentar cursos de modelagem em 3D, uma área de design industrial que ainda carece de bons cursos no Brasil, e até piano.

No ano em que estudou nos Estados Unidos, Gabriela estagiou por três meses na área de desenvolvimento de TI da General Electric (GE) Healthcare. Na empresa, recebeu avaliações positivas e, com isso, espera ter causado boa impressão. “Espero que a GE se sinta motivada a contratar outros estudantes”, afirma ela.

Para ela, receber uma bolsa para estudar no exterior é a oportunidade para ampliar horizontes pessoais e profissionais. “Descobri que gosto de trabalhar em ambientes descontraídos, por isso estou em uma startup”, adianta Gabriela.

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