Governo federal deveria assumir todas as esferas de educação, defende senador Cristovam Buarque

por andre_inohara — publicado 28/11/2011 10h15, última modificação 28/11/2011 10h15
André Inohara
Brasília – Hoje, responsabilidade pelo ensino fundamental cabe aos municípios e pelo médio, aos Estados.
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A formação de profissionais qualificados de que o Brasil tanto necessita para se tornar mais competitivo depende de uma base sólida no ensino fundamental. Por se tratar de uma questão de interesse nacional, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defende que a responsabilidade por todos os níveis de ensino seja transferida para o governo federal.

Atualmente, a responsabilidade pelo ensino fundamental cabe aos municípios, enquanto o ensino médio fica a cargo dos estados.

Para o senador, o apagão de mão de obra especializada, principalmente em nível técnico (a mais sentida, como a Amcham detectou em pesquisas junto ao setor privado), é uma parte do problema da educação no Brasil, que precisa ser olhada como um todo.

Veja a entrevista que Buarque concedeu ao site da Amcham pouco antes de participar de seminário em Brasília na quinta-feira (24//11) que encerrou o segundo ano do programa "Competitividade Brasil – Custos de Transação" da Amcham:

Amcham: O que é preciso fazer para formar mais profissionais de nível técnico no Brasil em curto prazo?
Christovam Buarque:
O apagão da mão de obra especializada é apenas um entre os vários pontos frágeis da economia brasileira. Não conseguiremos formar 8 milhões de trabalhadores técnicos nos próximos anos. Isso tudo porque muita gente não fez um ensino fundamental que desse preparo suficiente para ingressar em um bom curso técnico.

Amcham: Como a educação se insere no contexto econômico?
Christovam Buarque:
Há duas maneiras de se olhar a educação. A primeira é como riqueza em si própria. A outra é como meio para o desenvolvimento da economia. O apagão da mão de obra qualificada, nesse contexto, é um dos pontos frágeis que a economia tem e que não estamos vendo.

Amcham: Em sua opinião, qual a melhor forma de tratar a carência da formação de profissionais?
Christovam Buarque:
Não vejo outra forma senão fazer uma revolução na educação. Ela tem de ser federalizada. A educação (fundamental) precisa ser uma questão nacional, não municipal.

Amcham: Em se tratando de formação de mão de obra técnica, a educação básica é prioridade?
Christovam Buarque:
Temos um problema sério. Se a questão da formação básica não for atacada, os cursos (técnicos) formarão pessoas despreparadas. Poderemos, amanhã, ser surpreendidos com uma solda que não foi bem feita ou uma massa de cimento que não foi misturada na devida proporção.

Amcham: Como o sr. analisa o interesse do poder público por solucionar o problema da carência de mão de obra técnica?
Christovam Buarque:
Não vejo sensibilidade. Vejo urgência empurrando o governo que, mesmo assim, está chegando atrasado.