Governo Trump usa a imprevisibilidade como estratégia, segundo consultora americana

publicado 19/04/2018 13h13, última modificação 02/05/2018 14h36
São Paulo – Para Kellie Meiman, suspensão da sobretaxa do aço é temporária e não há sinais de que será estendida

O aumento das tarifas de importação do aço e alumínio pelos Estados Unidos foi suspenso para o Brasil e países aliados, mas essa situação é temporária. A medida vai até 1º de maio e não há sinais de como o governo Trump vai se comportar, destaca a consultora Kellie Meiman Hock, sócia-gerente da assessoria de comércio exterior McLarty Associates.

“Trump realmente acha que a imprevisibilidade é uma vantagem estratégica. Esse é um ponto para se entender e aceitar”, detalha na quarta-feira (18/4), durante o webinar da Amcham-São Paulo sobre o impacto das políticas do governo Trump no Brasil.

Antes de se tornar sócia da McLarty Associates em 2000, Meiman foi oficial de serviço estrangeiro no Departamento de Estado dos EUA. Também foi Diretora do Brasil e do Cone Sul no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

“Essa administração não pensa só em termos práticos. Eles veem o aço e o alumínio como produtos estratégicos e acho que este caso vai ser um balão de ensaio interessante para saber como será essa relação bilateral”, continua.

Meiman se refere aos recentes episódios do comércio Brasil – EUA. No segundo semestre de 2017, o Brasil limitou o volume de exportações de etanol ao mercado americano - isentas de impostos - a 150 milhões de litros por trimestre, ou 600 milhões de litros por ano até 2019. Acima desses volumes, a taxa seria de 20%.

Em março desse ano, os Estados Unidos anunciaram um aumento da tarifa de importação do aço e alumínio ao seu mercado, medida que atingiu a indústria nacional do aço. A reavaliação da cota brasileira para o etanol é uma das contrapartidas que os EUA exigem para negociar a sobretaxa sobre o aço e o alumínio do Brasil.

Vice-presidente dos EUA visita o Brasil

No fim de junho, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, fará uma visita oficial ao Brasil. Para Meiman, o encontro é uma oportunidade de estabelecer uma interlocução privilegiada. “É uma visita mais política do que econômica, mas logicamente haverá abertura para falar de temas comerciais. Pence tem sido um interlocutor positivo para a América Latina. Se tivesse que apostar, diria que a visita é positiva.”

Um dos assessores do vice-presidente americano serviu no Brasil e pode oferecer informações importantes do país. Esse é um dos motivos pelos quais Pence seria visto como um canal importante de diálogo da região com o governo Trump, detalha a consultora.