Há operações em que a maior necessidade é de profissionais com capacitação básica, diz presidente da mineradora Alcoa

por marcel_gugoni — publicado 24/09/2012 16h40, última modificação 24/09/2012 16h40
São Paulo - Franklin Feder, presidente da Alcoa América Latina, acredita que faltam tanto engenheiros quanto pessoas com capacidades técnicas, como soldador e eletricista, para trabalhar em unidades da empresa.
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O setor de mineração é intensivo em capital, demandando maquinário e equipamentos de última geração. Mas o principal problema do setor não é falta de dinheiro para investir, e sim de mão de obra qualificada para operar os equipamentos e executar até as tarefas mais básicas das operações. “Falta capacitação técnica”, afirma Franklin Feder, presidente da Alcoa América Latina.

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“A qualificação que a indústria de base precisa é alta, e falta capacitação técnica. Em algumas das nossas operações, estamos falando da capacitação básica: precisamos de um soldador ou de um eletricista”, afirmou, ao elencar as principais demandas de seu segmento durante o seminário “O que devemos fazer já para crescer 5% pelas próximas duas décadas?”, promovido pela Amcham-São Paulo na quinta-feira (20/09).

“O capital humano é o fator mais importante”, afirmou. Ele diz que um consenso entre economistas e empresários é de que há urgência em capacitar mão de obra e força de trabalho.

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Parcerias entre as empresas e universidades e escolas técnicas são um importante caminho para solucionar o problema. “Na Alcoa, desenvolvemos treinamento próprio com outras instituições da iniciativa privada e também formamos parcerias com universidades federais. Para nossa operação mais remota, que fica no interior do Pará, estamos trazendo uma universidade federal para um campus na cidade.”

Leia os principais trechos da entrevista com Franklin Feder:

Amcham: Na sua opinião, qual a prioridade que o Brasil precisa enfrentar para crescer de forma sustentada na casa dos 5% ao ano até 2030?

Franklin Feder: O que eu destaco é o consenso entre economistas e a visão das lideranças da iniciativa privada de que tem que haver medidas de longo prazo somadas às de curto prazo. Falamos muito sobre [a necessidade de se investir em] educação. Estamos sentindo a necessidade de capacitar a nossa mão de obra e força de trabalho. O capital humano é o fator mais importante. Tocamos também na [importância da melhoria na] gestão de recursos [por parte do poder público]. Ao mesmo tempo, é preciso somar isso a medidas de curto prazo, como a simplificação tributária e a implementação de mais parcerias público-privadas.

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Amcham: Na questão da mão de obra, como as empresas podem se adaptar aos modelos de PPPs como citado?

Franklin Feder: A necessidade de capacitação tem uma diversidade muito grande. A mineração é intensiva em capital, não intensiva em mão de obra, mas a qualificação de que a indústria de base precisa é alta. Falta capacitação técnica. Em algumas das nossas operações, estamos falando da capacitação básica: precisamos de um soldador ou de um eletricista. Na Alcoa, desenvolvemos treinamento próprio com outras instituições da iniciativa privada e também formamos parcerias com universidades federais. Para nossa operação mais remota, que fica no interior do Pará, estamos trazendo uma universidade federal para um campus na cidade.

Amcham: A unidade brasileira da empresa se baseia em algum modelo estrangeiro para realizar esses treinamentos?

Franklin Feder: Nós é que lideramos esse esforço. Aprendemos com operações [da Alcoa] em situações parecidas com a nossa, como a da Austrália e da Arábia Saudita, e vemos que é o Brasil quem compartilha sua aprendizagem e seus esforços.

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Amcham: Para os empresários, qual a mensagem que fica deste evento?

Franklin Feder: Vejo que é preciso cobrar do governo, mas sem dúvida temos que, antes disso, fazer a nossa parte. No País há vários casos de empresas que só cobram sem fazer a sua parte.

Amcham: Em que sentido o sr. diz que os empresários precisam fazer sua parte?

Franklin Feder: Uma coisa que vejo ser fundamental para o crescimento do País é a energia. E a presidente Dilma [Rousseff] fez um avanço enorme em relação à questão de energia ao determinar a redução de impostos. Foi um avanço importantíssimo. Precisamos evitar a questão de “nós e eles”, de colocar a culpa no governo. Só apontar o dedo ao setor governamental não adianta. É claro que o governo tem que se mexer na educação e na infraestrutura. Mas, na iniciativa privada, temos que fazer o nosso papel em cada um desses setores. Os empresários têm que partir de uma pergunta: onde queremos chegar? Transformar isso em metas quantitativas e qualitativas e falar sobre os caminhos que podemos estabelecer são pontos críticos desse papel. Porque mais importante do que saber o que fazer é saber como fazer.