Homem evoluído, capitalismo consciente: discussões em Davos e a posição do Brasil na 4ª Revolução Industrial

publicado 24/01/2020 15h33, última modificação 24/01/2020 15h33
Campinas – Seminário abordou Inteligência Artificial, tensão geopolítica, preocupação social e futuro do trabalho
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Octavio de Barros, sócio da Quantum4, palestra durante o nosso Seminário sobre a 4ª Revolução Industrial, em Campinas

Quando em 1986 a banda ‘Titãs’ lançou a música ‘Homem primata’ com o icônico desabafo sobre o que chamaram de capitalismo selvagem, talvez nunca imaginassem que em 2020 o Fórum Econômico Mundial proporia este sistema em um novo formato.

O fórum, que acaba hoje (24), tem como tema central um novo capitalismo que está se construindo: o Capitalismo das Partes Interessadas (Stakeholder Capitalism, em inglês). Este formato, diferente dos anteriores, envolve a sociedade, os agentes econômicos, a questão do meio ambiente e a responsabilidade social. “Esse é o grande debate em curso hoje e o Fórum Econômico este ano está patrocinando esse debate”, afirma o sócio da Quantum4 Octavio de Barros.

Com isso, foi lançado o “Manifesto de Davos 2020”, que estabelece premissas para este novo sistema capitalista. São elas: pagamento justo de impostos, tolerância zero com a corrupção, proteção do meio ambiente, estímulo à qualificação dos empregados, uso ético das informações privadas na era digital, vigilância dos direitos humanos em toda a cadeia de fornecedores e remuneração responsável dos executivos.

Octavio esteve presente no nosso Seminário ‘A quarta revolução industrial e seus impactos na economia e nos negócios’, em Campinas, no dia 21/01. O evento abordou os quatro temas principais discutidos no Fórum Econômico Mundial nos últimos anos: Inteligência Artificial, tensão geopolítica, preocupação social e o futuro do trabalho. O executivo também dividiu o palco com o sócio da KPMG Fernando Aguirre e com o diretor presidente do Instituto Pesquisas Tecnológicas, Jefferson de Oliveira Gomes.

BRASIL: APENAS UM CONSUMIDOR DE TECNOLOGIA

Embora o Brasil seja um consumidor qualificado de tecnologia, o país está longe de ser um produtor na mesma escala. Isso porque falta uma base sólida de formação: apenas 9% da população são formados para o mundo de trabalho (cursos técnicos) e apenas 16% vai para a universidade. “Quando você tem uma totalidade absurda de uma população que não tem a formação necessária, é um problema sério”, declara Jefferson.

Segundo Octavio, o setor público e o setor privado estão se plataformizando no mundo inteiro e a defasagem no tema faz com que o Brasil perca dinamismo num momento difícil. Ele explica que com a revolução tecnológica, digital e cognitiva (entenda-se Inteligência Artificial) é possível produzir produtos típicos de países como o Brasil (têxtil, calçados e indústria manufatureira no geral) de forma competitiva em países desenvolvidos.

Com isso, o Brasil corre o risco de se tornar um mero consumidor de commodities digitais. “Hoje com impressão 3D e todas as tecnologias é possível ser competitivo sem ser preciso vir para países de baixo salário, ao contrário: baixos salários conspiram contra a inserção internacional do Brasil”, aponta o sócio da Quantum4.

OS NOVOS EMPREGOS

Fernando acredita que empregos que existem hoje como médico, engenheiro, advogado, contador, etc. continuarão existindo: o que mudará é que esses profissionais precisarão aprender a lidar com dados – e em grande volume. “Além disso, com todo esse conteúdo disponível, haverá mais espaço para profissões para cuidar de qualidade dos dados (curadoria), fazer a gestão de conteúdo, e a gestão de conhecimento”, explica.

Para que as mudanças sejam democráticas, Fernando acredita que é preciso propiciar a capacitação - caso contrário, apenas uma pequena parcela da sociedade terá acesso a elas. Isso representa um risco: aumentar as desigualdades. “Acredito que vai ter um crescimento do mercado de serviços também para profissões mais qualificadas e isso é uma questão de capacitação do mercado de trabalho e as empresas e os líderes enxergarem esta necessidade”, pontua.

E O MEIO AMBIENTE?

Um tema que já vem sendo amplamente discutido há um tempo no Fórum Econômico Mundial é a sustentabilidade. Entretanto, este ano o tema dominou os debates na reunião: 51 painéis sobre ecologia e sustentabilidade, 50 sobre geopolítica e apenas 27 sobre economia. Na visão de Octavio, o tema é extremamente necessário, visto que o que está em jogo é a vida do planeta em si.

“Não acredito que nenhuma força política no mundo nos próximos anos vai conseguir abdicar do tema central do meio ambiente como elemento fundamental para a sociedade arbitrar quem governa bem e quem governa mal”, afirma. Ele lembra também que o Brasil está em uma posição equivocada na área em que pese ter bons exemplos de sustentabilidade e de responsabilidade ambiental: “Esse negacionismo do governo brasileiro em relação ao tema ao invés de uma atitude cooperativa e de buscar mais apoio na trajetória exemplar que o Brasil teve nessa área eu vejo como preocupação”.

RUMO AO FUTURO

Já vimos que muitas coisas diferentes nos esperam e ainda temos grandes desafios pela frente. Por isso, preparamos a ‘Segunda Missão Regional de Indústria 4.0’, que acontecerá em Campinas dos dias 11 a 13 de fevereiro. Empresas situadas na região, como Heineken, Unilever, Bosch, Lenovo e Sabó abrem as portas para uma imersão no coração industrial do Brasil.

A delegação contará com executivos de todo o Brasil e proporcionará imersão estratégica em fábricas inteligentes de destaque e entenda o funcionamento de sistemas capazes ajudar na tomada de decisões com base em dados. Transforme o seu negócio e se inscreva aqui.

 

O QUE É A MISSÃO REGIONAL?

São imersões práticas, com agenda customizada às necessidades de transformação dos nossos associados, com agenda prática de benchmarking com empresas e instituições de referência.

PARA QUEM?

Para sócios e não sócios, de acordo com o perfil de público para o qual a missão foi desenhada, bem como sua temática. Também podemos organizar missões no formato ‘Tailor Made’, atendendo às demandas específicas da empresa parceira.

COMO FUNCIONA?

Lideramos delegações de empresários em mais de 300 visitas a grandes empresas, institutos, feiras e universidades. Para participar, é só entrar em contato com os responsáveis pela Missão de seu interesse.

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