Inflação alta e desaceleração da atividade não surpreendem, alerta economista

por simei_morais — publicado 11/04/2013 15h56, última modificação 11/04/2013 15h56
São Paulo – Para José Francisco Gonçalves, expansão da renda e economia cíclica explicam o atual cenário
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O crescimento da demanda por serviços e os ciclos da economia explicam o cenário de inflação alta e desaceleração da atividade econômica, segundo José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator. Ele participou do comitê estratégico de Finanças da Amcham – São Paulo nesta quinta-feira (11/04), e mostrou que a situação decorre da política adotada pelo governo federal.

O economista, também professor da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) comenta que, apesar de em alta, a inflação é consequência do aumento de renda em classes emergentes, que passaram a consumir mais. “Não há oferta de serviços para tanta demanda. E há demora para qualificar a mão de obra”, explica.

Por esse motivo, Gonçalves não apoia a elevação dos juros como a melhor solução para conter o movimento inflacionário, mesmo sendo essa a atitude que boa parte do mercado cobra, no momento. “O efeito [da alta] virá só no final do ano, quando naturalmente a inflação já diminui. Isso seria apenas um anestésico”, adverte.

Não menos provável é a queda no ritmo da atividade econômica, uma vez que a política governamental é de ciclos econômicos. “Há uma alternância natural entre recuperação e prosperidade e declínio e relativa estagnação. Pede-se ‘mais investimento, mais investimento’, mas ninguém constrói o tempo todo. Uma indústria, por exemplo, constrói e depois dá o tempo para instalar sua capacidade”, exemplifica.

Na onda

Também não surpreende que o Brasil tenha dado espaço ao México, nas manchetes sobre América Latina em veículos como a The Economist ou o Financial Times, comenta Gonçalves. Segundo o economista, esse “arrebatamento” com os mexicanos deve-se à recuperação da economia norte-americana, da qual depende o país, um dos três integrantes do NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio).

No entanto, a atividade econômica mexicana não se compara à do Brasil, cuja indústria é mais antiga e desenvolve produtos. “O México é como uma zona franca. Compra peças da China, monta em seu solo e vende aos Estados Unidos. O saldo positivo da balança deles com os Estados Unidos cobre o negativo do comércio deles com a China”, declara.