Infraestrutura: Setor privado está no limite do investimento, diz presidente da ABDIB

publicado 04/12/2017 17h43, última modificação 05/12/2017 10h51
São Paulo – Venilton Tadini defende plano público de investimentos no setor

Sem incentivos públicos, os investimentos privados em infraestrutura vão ficar estagnados, afirma Venilton Tadini, presidente da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). “O empresariado está chegando ao limite dos investimentos. Não temos como ter ciclo vigoroso de investimentos que mudam a lógica de crescimento econômico se não tivermos a força de indução do estado nesse movimento.”

Tadini fez o discurso de abertura do Seminário Brasil 2018 da Amcham – São Paulo na segunda-feira (4/12), e destacou a falta de políticas públicas e financiamento de longo prazo adequados ao desenvolvimento de infraestrutura. Ele lembrou que o setor público sempre terá papel importante na concepção, desenvolvimento e financiamento dos projetos, e também no compartilhamento de riscos.

“Mesmo projetando com eficiência, existe um limite de custos que pode ser repassado aos usuários. É um fato que acaba requerendo alto grau de participação pública, e não só através de parcerias público-privadas (PPP)”, argumenta. “Se não tivermos isso claro, corremos o risco de chegar a lugar nenhum. Essa é uma mensagem relevante”, continua Tadini.

De acordo com o dirigente, o empresariado brasileiro já investe majoritariamente em setores como energia (56% de participação) e comunicações (93%). A participação privada é menor em setores como saneamento e água (10%) e transportes (23%).

Na América Latina, o nível médio de investimentos em infraestrutura é baixo. Mesmo assim, o Brasil é um dos países onde o investimento privado é maior que o do governo. Entre 2008 e 2013, o setor público investiu 1,5% do PIB, enquanto o empresariado contribuiu com 1,7% do PIB.

O patamar de investimentos públicos em infraestrutura vem se mantendo há décadas, o que é insuficiente para influenciar o crescimento econômico, lamenta Tadini. "É preciso investir pelo menos 3% do PIB em infraestrutura, mas desde a década de 90 o investimento público em infraestrutura vem sendo negligenciado."

Financiamento de médio e longo prazos

Tadini também defendeu a criação de mecanismos de mercado que possibilitem o financiamento de médio e longo prazos. "Temos as debêntures incentivadas, mas nosso mercado de capitais ainda é incipiente", destaca.

O BNDES, que é o grande financiador da infraestrutura, sofre com críticas que Tadini considera injustas. “O banco tem quadros competentes e não pode ser execrado por cumprir a política pública de escolher os campeões nacionais. Se é dada uma orientação, tem que cumprir.”

Tadini lamenta o fato de o governo ter escolhido segmentos de baixo conteúdo tecnológico, como o de proteína animal. “Não vamos demonizar a política pelo seu mau uso. Mas tínhamos outras opções”, afirma o dirigente.

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