Integração logística entre modais ferroviário e portuário aumenta competitividade

por andre_inohara — publicado 11/10/2011 15h05, última modificação 11/10/2011 15h05
São Paulo – Malha adicional de transportes serviria para desafogar trânsito em estradas, apontam especialistas.
leandro_oliveira_2.jpg

A integração entre modais logísticos prevista para os próximos anos, sobretudo entre ferrovias, cabotagem e portos, é uma medida importante para aumentar a vantagem competitiva do País.

Ao utilizar uma malha integrada, o fluxo de mercadorias que passa pelas rodovias (modal mais utilizado no Brasil) seria mais bem distribuído, desafogando o trânsito rodoviário.

A grande vantagem da integração seria a redução dos custos de capital, de acordo com Fabiano Lorenzi, diretor de Comercialização, Marketing e Novos Negócios da Vale e diretor da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operação ferroviária do grupo.

“Em uma atividade com capital intenso a das como ferrovias é possível ser mais eficiente”, afirmou Lorenzi, que participou do comitê de Logística da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (11/10). “Como parte da cadeia de valor é grande e concentrada em capital, quanto mais eficiente se for, menos ativo se consumirá. Com isso, certamente o cliente pagará menos por transporte e movimentação no final do dia”, completou o executivo.

Ferrovias

O custo do investimento em vias ferroviárias está estimado em um patamar entre R$ 2 milhões e quase R$ 5 milhões por quilômetro (km), segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O montante é bem superior à quantidade de recursos necessários à pavimentação de rodovias (R$ 1,8 milhão/km) e implantação de novas vias (R$ 2 milhões/km), mas é similar ao de duplicação de estradas (até R$ 4,5 milhões/km).

Embora necessite de grandes aportes, o modal ferroviário é considerado o mais adequado para longas distâncias devido à capacidade dos trens de levar maior quantidade de carga.

Investimento da Vale em infraestrutura

A mineradora Vale optou por investir maciçamente em integração de terminais de carga, ferrovias e portos para reduzir seus custos com transporte de commodities minerais (ferro, carvão e metais não ferrosos).

A mineradora administra um sistema logístico formado por 10 mil km de malha ferroviária e 12 terminais portuários, e trabalha para ampliar essa rede.

O montante total de recursos aplicados neste ano pela Vale para expansão e melhoria logística foi de R$ 5 bilhões, em projetos como a Estrada de Ferro Carajás e a Ferrovia Norte Sul na região Norte, e a Estrada de Ferro Vitória a Minas e Ferrovia Centro-Atlântica no Sudeste.

A quantia representa a metade dos R$ 10 bilhões investidos no período de 2004 a 2010, sinalizando um reforço adicional nas intenções de ampliação de infraestrutura comandada pela mineradora.

Cabotagem

Também para o transporte via navegação de cabotagem, as perspectivas são promissoras, devido ao crescimento do País, mas é importante lembrar que longos períodos sem investimento comprometeram a competitividade desse modal.

O período de reativação da cabotagem começou há pouco mais de dez anos, puxado pelo crescimento econômico, apontou Leandro Oliveira, gerente de linha da Maestra Navegação e Logística.

A extensão geográfica do litoral brasileiro é uma vantagem. “O Brasil tem mais de 8,5 mil quilômetros de costa e a maioria da população vive a até 500 km do litoral. O País tem uma vocação natural para a cabotagem”, comentou.

Para acelerar os investimentos do transporte via cabotagem, Oliveira disse que o papel do governo é fundamental. Cabe ao setor público desonerar a cadeia produtiva dos elevados impostos e oferecer incentivos nos terminais.

Outro fator necessários ao maior desenvolvimento da cabotagem é a contratação de mais mão de obra para esse segmento de transporte. “A formação de oficiais da marinha mercante é insuficiente para atender à demanda”, observou Oliveira.

Por isso, é preciso incentivar a abertura de escolas de formação de oficiais e trabalhadores marítimos. A Maestra negocia uma parceria com o governo para a criação da terceira escola de oficiais da Marinha Mercante, possivelmente em Santa Catarina.

No Brasil, só há duas escolas desse tipo. O Ciaga (Centro de Instrução Almirante Graça Aranha), no Rio de Janeiro, e o Ciaba (Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar), na Bahia.