Investidor paga prêmio maior por empresa que tem controle de risco, diz executivo da Brookfield

por andre_inohara — publicado 13/07/2012 15h42, última modificação 13/07/2012 15h42
São Paulo – Ao analisar oportunidades, gestores de fundos valorizam mais as empresas que possuem mecanismos de mitigação de perdas potenciais.
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Além do inegável valor que uma boa gestão de risco oferece para a continuidade de uma empresa, ela também pode ser um diferencial na hora de se associar a outra organização ou atrair investidores. “O investidor está disposto a pagar um prêmio maior por empresas que têm gestão de risco”, disse Sandro Lopes da Costa Cupello, vice-presidente do fundo de investimentos Brookfield Asset Management no Brasil.

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Mas não basta ter um controle eficiente de riscos. Na hora de apresentar os atributos da empresa a possíveis interessados, esse mecanismo tem que estar na lista de vantagens competitivas, de acordo com o gestor.

“O importante desta história toda é não só as empresas controlarem melhor os seus riscos no dia a dia e evitar perdas indesejáveis, mas o componente adicional que é vender a ideia de gestão de risco”, comentou Cupello, durante o seminário Gestão de Riscos Corporativos, realizado na Amcham-São Paulo na quinta-feira (12/07).

Leia abaixo a entrevista de Cupello ao site da Amcham:

Amcham: Para um investidor, qual a importância da gestão de risco de uma empresa?

Sandro Cupello: É claro que os investidores colocam muito valor nesta questão. Um fundo de private equity, por exemplo, não tem muito tempo para avaliar a imensa quantidade de oportunidades que chegam a sua mesa. No estudo da Abvcap (Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital) e da FGV feito em 2009, e que apresentei no seminário, somente 43% das propostas que chegam aos investidores são analisadas. Desse contingente, mais da metade é descartada simplesmente por questões que envolvem o gerenciamento de risco. Ou seja, se imaginarmos duas empresas nessa etapa, aquela que se preocupa com riscos valerá mais para o investidor do que a outra que não tiver.

Amcham: Então, a gestão de risco é um diferencial competitivo das empresas?

Sandro Cupello: Sim. O investidor está disposto a pagar mais por empresas que têm gestão de risco. O importante desta história toda é não só as empresas controlarem melhor os seus riscos no dia a dia e evitar perdas indesejáveis, mas o componente adicional que é vender a ideia de gestão de risco. Porque a decisão de realizar uma fusão ou aquisição é um dos momentos mais importantes de uma empresa, e nada mais natural do que tentar se alavancar dessa situação.

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Amcham: Em sua opinião, como as empresas têm gerenciado o risco?

Sandro Cupello: Creio que a questão principal é a importância que as empresas estão dando para riscos específicos. Certamente os bancos monitoram riscos de mercado e crédito com detalhes, enquanto a indústria pode não monitorar isso com tanta precisão. Então, será que as indústrias não deveriam se desenvolver mais em risco de mercado? Talvez um setor possa aprender com o outro como monitorar riscos de uma forma mais ampla.

Amcham: Aproveitando o assunto, como cada setor – financeiro, industrial, serviços – gerencia seus riscos inerentes?

Sandro Cupello: Depende muito da indústria, do serviço e até da própria empresa. Uma indústria com potencial poluidor mais alto certamente olhará para a questão de risco ambiental com maior atenção. Como exemplo, cito empresas transformadoras de plástico ou de óleo e gás.

Amcham: Temos um cenário macroeconômico dando sinais de incerteza. Nesse contexto, qual a perspectiva para fusões e aquisições?

Sandro Cupello: A questão das consolidações de mercado sempre vai ser cíclica, oportunidades nunca deixarão de existir. Quando o mercado ficar mais difícil e as empresas passarem a buscar mais competitividade ou se tornarem menos lucrativas, vai haver movimento maior de consolidação. Mas as empresas têm que estar preparadas para se diferenciar, e acho que a gestão de risco pode ajudar a fazer os melhores negócios.

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