Investimentos em infraestrutura justificam demanda por quadros técnicos

por andre_inohara — publicado 28/11/2011 16h46, última modificação 28/11/2011 16h46
Brasília – Empresas têm se esforçado para treinar mão de obra especializada como forma de preencher lacuna educacional do setor público.
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A falta de oportunidades no passado esvaziou o interesse dos jovens pelas profissões de Exatas.

Mas, com a retomada dos investimentos em infraestrutura, é possível reconquistar o interesse das novas gerações por essas carreiras, acredita Cibele Castro, vice-presidente de Pessoas e Gestão da AES Brasil.

Além disso, as empresas estão se esforçando para suprir a carência de profissionais especializados através de treinamentos para capacitação. Porém, isso não é suficiente.

Veja a entrevista de Cibele ao site da Amcham, realizada após sua participação em seminário do programa "Competitividade Brasil – Custos de Transação" da Amcham na quinta-feira (24/11) em Brasília:

Amcham: A oferta de treinamentos de capacitação profissional já é uma prática comum nas empresas. Isso é suficiente para suprir a escassez de mão de obra técnica?
Cibele Castro:
Não. Embora as empresas estejam se mobilizando para fazer esses investimentos, eles não são suficientes. São ações complementares que ajudam a suprir a falta de profissionais em curto prazo, mas, para que sejam sustentáveis em médio e longo prazos, é necessária a participação do governo.

Amcham: Qual o papel do governo na formação de mão de obra especializada?
Cibele Castro:
A iniciativa privada precisa de investimentos públicos em melhoria da educação de nível fundamental e também de mais cursos técnicos. Os jovens que estão chegando ao mercado de trabalho precisam ter as alternativas que não existem hoje.

Amcham: Como empresa de energia, a AES Brasil tem necessidade de quadros técnicos que hoje são escassos. Como atrair os jovens para essas carreiras?
Cibele Castro:
Primeiro, é preciso deixar claro aos jovens que existem investimentos no Brasil que sustentam essa demanda. Não foi à toa que o pessoal de Exatas migrou para outras áreas no passado.

Amcham: Poderia dar mais detalhes?
Cibele Castro:
Hoje, muitos engenheiros que se formaram em anos anteriores se tornaram administradores, economistas e contadores. Essas foram as colocações mais procuradas, mas posso falar de muitas outras atividades para as quais os engenheiros se direcionaram. O que fez com que eles migrassem para outras áreas foi a falta de investimentos em infraestrutura na época. Mas, acredito que, com todos os investimentos que estão sendo feitos agora no Brasil, há mais condições para atrair os jovens para a carreira de Exatas.