Lojas virtuais que oferecem frete grátis vendem mais

publicado 08/10/2013 16h51, última modificação 08/10/2013 16h51
São Paulo – Consumidor online deixa de comprar se empresa cobrar despesa de entrega
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“No Brasil, a cultura do frete grátis se criou no início do e-commerce (1999), e hoje o brasileiro é viciado nisso. Se o comerciante tirar o frete grátis do site, as vendas caem”, afirma Maurício Salvador, presidente da  ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico).

No comitê de Logística da Amcham-São Paulo, realizado na terça-feira (8/10), Salvador citou dados da pesquisa da ABComm de junho, Logística no E-commerce Brasileiro, que indica que 45% das lojas virtuais arcam com os custos de frete total ou parcialmente.

No estudo, participaram 225 empresas nacionais de comércio eletrônico de todos os portes. Ainda de acordo com a sondagem, 69% das empresas admitiram oferecer frete grátis aos clientes, e que tal prática aumenta as vendas na opinião de 66% dos respondentes.

Os desafios logísticos do e-commerce

Os custos logísticos são representativos para o comércio eletrônico, e precisam ser contornados com eficiência operacional ou comercial. Esses gastos incluem, além do frete, transporte via correio e combustíveis para a frota própria – quando é o caso. As empresas de comércio eletrônico também precisam se desdobrar para gerir despesas relativas a armazenamento e estoques nos centros de distribuição.

A gestão desses custos é determinante para o sucesso do negócio, estima Salvador. “O jogo (do e-commerce) se ganha na gestão dos custos logísticos. Eles não dependem só da loja, mas de (negociação com) fornecedores externos.”

A pesquisa indica, entretanto, que o frete é responsável por 58% dos custos logísticos do comércio eletrônico, seguido por armazenagem (23%) e manuseio (19%). “Alguns grandes varejistas têm oferecido frete grátis em casos de retirada na loja própria perto do endereço do cliente. O Pão de Açúcar, por exemplo, está testando um serviço de compra online onde o cliente retira o pedido no drive thru da loja, depois de duas a três horas”, comenta Salvador.

Outra estratégia é restringir a concessão de frete grátis para produtos de maior valor agregado, ou acima de determinado valor. “Não acho eficiente a estratégia de dar frete grátis para tudo, pois em compras menores ela comprime demais as margens (de retorno). Ela é mais efetiva para compras de valor acima de R$ 100, até como estímulo para aumentar o tíquete médio”, avalia o dirigente da ABComm.

Case Oppa Design

A startup Oppa Design, que vende móveis pela internet, é uma das empresas que não oferece frete grátis indiscriminadamente. “O impacto do frete em nossa receita é, em média, de 10%, e repassamos parte disso ao cliente”, admite Fabio Lolio, diretor de logística da Oppa Design.

A política da companhia é dar isenção de frete para compras acima de R$ 600. Como o tíquete médio é de R$ 750, a empresa costuma ter bastante despesa com transporte. Uma forma que a Oppa possui para baixar esses custos é fazer com que o cliente abra mão do agendamento das entregas.

“O cliente sempre quer receber seu produto o mais rápido possível, mas temos um estudo que diz que o cliente aceita prazo maior de entrega, quando o frete é grátis”, de acordo com Lolio. “Sabemos de empresas que oferecem frete grátis quando o cliente abre mão da entrega agendada. No nosso caso, se o cliente não escolher o período de entrega, levamos o móvel em 3 dias. Caso contrário, o prazo é de até 20 dias. O cliente acaba topando receber sem agendamento”, comenta ele.