Mau momento econômico do Brasil não tem relação com a crise internacional, diz economista

publicado 29/06/2015 14h50, última modificação 29/06/2015 14h50
Recife - O economista Gustavo Maia aponta que, diferente do Brasil, o PIB dos países em desenvolvimento tem crescido e o desemprego e a inflação diminuindo
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O cenário econômico atual do Brasil é reflexo direto da crise internacional que assola o mundo. Ou pelo menos essa é a versão oficial do governo. Gustavo Maia, economista e ex-diretor do Ipea, pensa diferente.  Em apresentação no Comitê de Finanças e Economia da Amcham Recife na manhã desta sexta-feira, dia 26/6, Maia afirmou que o Brasil na verdade segue na contramão da economia mundial. Dados do FMI mostrados por ele, mostram que o Brasil é um dos poucos países de relevância econômica que devem ter crescimento econômico negativo no ano de 2015, com perspectiva de retração do PIB em 1%.  Para se ter uma ideia, países como os EUA devem registrar de crescimento de 3% até o final do ano, enquanto o crescimento da Zona do Euro deve ficar em 1,5%.

Fora o Brasil, conforme o especialista, Rússia, Venezuela e Argentina são os únicos países de relevância econômica mundial que têm registrado queda no PIB. “É verdade que países emergentes também passam por uma desaceleração no momento, mas a economia mundial não está parada, ela continua crescendo”, ressalta Maia. Para se ter uma ideia, o PIB da China era de 7,4 no ano passado, e deve cair para 6,8 neste ano. Já a economia da Índia deve crescer de chegar 7,5 em 2015, crescendo 0,3% em comparação com o ano passado.

 Em relação ao desemprego, a taxa deve chegar a 5,9% no Brasil até o final do ano, contra 4,8% no ano passado. Enquanto isso, a China deve manter a taxa estável, em 4,1%, ao passo que o desemprego nos EUA deve cair de 6,2% em 2014, para 5,5% em 2015.

 A inflação no Brasil também segue movimento contrário ao da maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento do globo. Por aqui, a inflação deve ficar 1,5% acima da média do ano passado, chegando a 7,8%. Os EUA, por sua vez, devem reduzir em 2015 a média de 1,6% para 0,1%. Já o Japão, reduziu de 2,2% para 1,2%.

 De acordo com o economista, o Brasil tem adotado uma política fiscal e monetária irresponsável, que só se sustentou nos últimos anos por conta do momento extraordinário pelo qual passava a economia mundial, fazendo os investimentos por aqui, tanto pela iniciativa privada como pelo governo, dispararem, incrementando o emprego e a renda. 

 “Quando a economia estava a pleno vapor, o governo adotou uma política fiscal e monetária expansionista, o que não era sustentável”, comentou. “Por muito tempo se acreditou que a solução para todos os problemas seria aumentar os investimentos e injetar dinheiro na economia, o que foi provado não ser verdade. No entanto, muitos dos políticos parecem continuar acreditar nessa fórmula mágica. Basta observar a dificuldade em se realizar o ajuste fiscal, com o congresso aprovando uma medida para economizar 5 bilhões e outra para aumentar os gastos em 10 bilhões”, exemplificou.

 Ele acredita que 2016 tende a ser um ano ruim, embora ele se mostre esperançoso quanto à estabilização da economia por meio do ajuste fiscal. “É verdade que o aumento da carga tributária e da taxa de juros, além da redução de investimentos prejudica é ruim para a economia a médio e longo prazo, pois reduz a competitividade nacional”, reconhece. “Mas são os únicos meios institucionais que temos no momento.”