Monitoramento de corrupção e mais auditoria podem reduzir pela metade custos de projetos de infraestrutura

publicado 15/08/2017 14h59, última modificação 17/08/2017 09h15
Especialistas da Universidade de Columbia ressaltaram a importância do cumprimento da lei para melhorar competitividade

Investimentos em monitoramento de corrupção e mais atenção na auditoria podem reduzir custos de projetos de infraestrutura em até 50%. A estimativa é de Paul Lagunes, professor da Columbia School of Internation and Public Affairs. O especialista, que participou do IV Fórum de Compliance da Amcham – São Paulo no dia 14/08, frisou que ações de vigilância levam a um ganho na eficiência da gestão de gastos públicos. “Quando você garante que os auditores têm o apoio que precisam, os projetos são revistos com mais critério. O monitoramento anticorrupção não teve aumento de custos, e sim ganho de eficiência”, afirmou.

Para Lagunes, o cumprimento da lei é essencial para o crescimento econômico. Analisar os projetos de parcerias e licitação com mais tempo e até mesmo rejeitar propostas podem ajudar a obter mais transparência em processos que envolvem iniciativa privada e o poder público. Outro ponto ressaltado pelo especialista foi a punição. Comparando casos similares de corrupção no México e no Brasil, Lagunes identifica que “o Brasil está mostrando a importância das punições”.

Merritt Fox, professor da faculdade de Direito da Columbia, analisa que as investigações sobre o caso de corrupção da Petrobras mostram que o país está sério sobre a questão do combate à corrupção. Se uma organização cresce com base na corrupção, para o especialista, é como se estivesse sendo construída “em um castelo de cartas. Quando fica esclarecido que a empresa estava alcançando sucesso por meios ilícitos, ela não sobrevive em um mercado competitivo”.

Organizações com fortes programas de compliance e que investem em transparência, para o professor, aumentam seu valor e, consequentemente, seu acesso ao capital. “Evitar a corrupção pode aumentar a competitividade e o valor da empresa. Isso diminui o custo do capital para a organização”, finaliza.

Marcos Troyjo, Co-Diretor do BRICLab da Universidade de Columbia, afirma que a Lava Jato traz mudanças institucionais e, além de melhorar a visão do Brasil aos olhos dos investidores, tem um significado em termos de relações internacionais. “Quando falo com outros colegas da América Latina, eles me dizem que gostariam que algo como a Lava Jato acontecesse no país deles. É algo bom para o país”, exemplifica.