Necessidades de mão de obra são específicas em cada região, aponta diretor do Senai

por andre_inohara — publicado 27/07/2011 16h00, última modificação 27/07/2011 16h00
Campinas – Para equilibrar a oferta e a demanda de profissionais e detectar carências, é preciso criar iniciativas conjuntas entre instituições de ensino e empresas.
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As carências de mão de obra são diferentes em cada setor econômico e região. Para que não haja excesso de formação de determinada ocupação em uma localidade onde ela já é abundante, as escolas técnicas e empresas precisam trabalhar em conjunto, para mapear as necessidades de treinamento, argumenta o diretor técnico do Senai-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria), Ricardo Terra.


Essa aliança entre escolas e companhias, para ele, é uma saída essencialmente de curto prazo. Para uma formação efetiva da mão de obra especializada no lugar certo a longo prazo, será preciso políticas públicas bem desenhadas com esse fim.

Veja abaixo a entrevista de Ricardo Terra para o site da Amcham, concedida após ele participar do seminário de Competitividade Regional em Campinas, na última terça-feira (26/07):

 

Amcham: O que pode ser feito para acelerar a formação de mão de obra qualificada?
Ricardo Terra:
Primeiro, é preciso promover uma discussão regional das necessidades de pessoal. Segundo, detectar os segmentos econômicos com carência de mão de obra. Quando se decompõe a situação nesse nível, encontram-se questões diferentes para um problema que não é genérico.

Amcham: Como assim?
Ricardo Terra:
O setor de construção civil é um exemplo. No Estado de São Paulo, têm sobrado vagas. Uma parte disso ocorre porque há falta de interesse do jovem por essa ocupação; outra parte se dá em função do pessoal que migrou para São Paulo no passado e agora está retornando ao Estado de origem, porque lá oferecem a mesma oportunidade. Se não estratifica o problema, inclusive por segmento econômico, não consegue entender o que está acontecendo. Sempre se pensa na solução mais simples, que é a de aumentar a oferta.


Amcham: Então, como sanar a falta de mão de obra especializada?
Ricardo Terra:
Nossa defesa em relação a esse tema é de que, em curto prazo, a solução tem de ser a maior intensificação do relacionamento entre setor produtivo e instituições de formação profissional. No segmento automobilístico, as formações demandam mais tempo. Elas são ocupações mais complexas e, nesse caso em específico, a solução é as escolas participarem da estratégia da empresa para se anteciparem às restrições e conduzirem o processo de treinamento em conjunto. Esse distanciamento existe porque as companhias se afastaram das escolas e vice-versa.

Amcham: Por que houve esse distanciamento?
Ricardo Terra:
Isso foi causado por quase trinta anos sem crescimento econômico entre as décadas de 80 até mais da metade da década de 2000. Nessa época, as escolas abriam uma vaga de treinamento e apareciam dez pessoas. As parcerias escola-empresa são soluções de curto prazo, para apagar incêndios. Outra resposta rápida é a ampliação da capacidade do trabalhador, tornando-o mais produtivo.

Amcham: Quais seriam as soluções de longo prazo?
Ricardo Terra:
As medidas de longo prazo são ações estruturantes de que o País precisa, e que têm sido discutidas amplamente em fóruns como os da Amcham em Campinas. É preciso ter políticas públicas que regulem a oferta da educação profissional no Brasil, assim como é feito em outros países. No Brasil, existe um forte descolamento da oferta de formação profissional com a demanda de mercado, justamente pela falta de orientação de política pública.

Amcham: Como as políticas públicas podem corrigir esse desequilíbrio?
Ricardo Terra:
Em países como a Alemanha e a França, os estudantes são direcionados conforme seu aproveitamento escolar. Ao fim de doze anos de escolaridade e a partir dos resultados dos exames, há grupos que vão para a universidade, outros para o ensino tecnológico e técnico de nível médio, e os que partem para a aprendizagem industrial.

Amcham: O que é preciso para formar técnicos mais capacitados?
Ricardo Terra:
Um ponto é a melhoria da educação geral. É um consenso que educação plena combina com educação geral e profissional. As pessoas vão à escola porque um dia pretendem ingressar no mercado de trabalho. Não há dúvida de que a melhoria da educação geral é fundamental para o sucesso da formação plena do indivíduo. Os países que tiveram sucesso no desenvolvimento econômico sustentado fizeram os seus grandes movimentos através da educação, com políticas públicas associadas ao fomento industrial e pesquisa aplicada.