Novo Partido quer ‘puxadores de ideias’ e não ‘puxadores de votos’, diz fundador da legenda

publicado 31/10/2017 14h25, última modificação 01/11/2017 13h19
São Paulo – João Amôedo considera Bernardinho o candidato ideal e nega ter convidado Huck e Doria a concorrerem pelo partido

Para João Amôedo, fundador do Novo Partido, a escolha de candidatos ‘puxadores de voto’ deveria ser feita por afinidade ideológica. “Não sou contra ter puxador de voto, mas ele não pode ser a prioridade do processo. Um cara bom, competente e alinhado às ideias do partido seria o melhor dos mundos. É por isso que preferimos ter puxadores de ideias”, disse, no comitê estratégico de CEOs & Chairpersons da Amcham – São Paulo na quarta-feira (25/10).

Os candidatos puxadores de voto são políticos ou celebridades que atraem o voto de grande parte do eleitorado e, de quebra, ajudam a eleger candidatos menos votados do partido. Um exemplo citado por Amôedo é o técnico de vôlei Bernardinho.

O ex-treinador da seleção brasileira foi convidado para se candidatar ao governo do Rio de Janeiro em 2018 pela legenda. “Estamos tentando convencer o Bernardinho. Ele se filiou em 2016, gosta do projeto e é um ótimo puxador de voto. Mas ele tem proposta para treinar um time na França e está decidindo o seu futuro”, conta Amôedo.

Em evento no Endeavor em São Paulo, Bernardinho admitiu a possibilidade de se candidatar pelo Novo Partido. “Estou disposto a ir, mas preciso de algumas anuências para poder abraçar um desafio dessa natureza. Preciso que a equipe venha jogar junto, para que a gente possa fazer aquilo que a gente acredita, que é (investir em) educação, empreendedorismo, saúde e enfrentar o maior problema que a gente vive hoje, que é a segurança pública”, disse, de acordo com o site de O Globo, em 31/10.

O caso de Bernardinho – que se identifica com o partido e tem popularidade – é raro, na opinião do fundador do Novo Partido. “Um puxador tem que ser alguém que entenda que a instituição é maior que ele próprio.”

É preciso ter critérios ao convidar celebridades e políticos com alta popularidade, pois eles costumam ser muito assediados pelos partidos. “O que levaria um puxador de voto a vir para o Novo? Porque ele será procurado por outros partidos que, certamente, vão oferecer mais coisas e colocar muito menos exigências do que nós”, argumenta Amôedo.

“Por outro lado, se também chamarmos um puxador e não fizermos determinadas exigências e colocar algumas pautas, esse candidato pode ser totalmente destrutivo ao projeto”, acrescenta.

Em relação a algumas figuras públicas que estariam se candidatando pelo partido, Amôedo frisa que não passam de rumores. “Disseram que o Luciano Huck seria candidato pelo Novo. Conversamos com ele algumas vezes, mas nunca fizemos convite para uma candidatura. O mesmo acontece com o prefeito de São Paulo, João Doria.”

Novo Partido

Amôedo disse que a proposta do Novo Partido é fazer política usando conceitos de gestão privada. A candidatura é baseada em processo seletivo e tem sido predominantemente de pessoas sem envolvimento prévio com a política. Até agora, 700 candidatos concorreram a indicações do partido.

O objetivo do partido para 2018 é eleger pelo menos 35 deputados federais no Congresso. Com essa bancada, o Novo Partido seria o sexto maior. “Teríamos mais representatividade que o DEM, por exemplo, que tem 22 deputados”, compara o dirigente.

Para a eleição presidencial, Amôedo disse que o partido discute internamente o lançamento de um candidato, que deve ser anunciado em novembro. Questionado se aceitaria a indicação, Amôedo disse que está avaliando as possibilidades. "Não é meu plano inicial, mas julgamos importante ter um candidato."

O fundador do Novo Partido deixou a presidência do partido, o que abre a possibilidade de ele se candidatar. "Por regra interna, quem está na gestão do partido não pode assumir cargo público", observa.

Algumas das propostas do Novo Partido para a economia são a defesa da privatização e as reformas previdenciária e tributária. O economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, é um dos responsáveis pela elaboração do programa.

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