Obras nos setores rodoviário e hoteleiro de Minas Gerais devem concentrar maior parte dos investimentos em infraestrutura

por andre_inohara — publicado 01/07/2011 17h46, última modificação 01/07/2011 17h46
Belo Horizonte – Copa de 2014 antecipará investimentos em melhorias urbanas e logísticas, mas ritmo de investimentos será afetado por baixa competitividade, afirma presidente do Conselho da Fidens.

Entre os projetos relacionados à Copa do Mundo, os de ampliação das vias de acesso à capital mineira e de capacidade hoteleira receberão boa parte  dos investimentos.

Para o presidente do conselho da construtora Fidens, Fernando Frauches, a Copa antecipará a construção das obras necessárias à ampliação da infraestrutura de Minas Gerais. Ainda assim, segundo ele, a velocidade dos investimentos será limitada pela baixa qualificação da mão de obra e a pouca disponibilidade de recursos para projetos de longo prazo.

Os próximos dez anos serão de crescimento para o setor de construção pesada, em função dos projetos de ampliação de infraestrutura por todo o Brasil. A construtora Fidens pretende atuar em diversos segmentos, como petróleo e gás e instalações industriais.

Leia alguns trechos da entrevista de Frauches ao site da Amcham, concedida logo após sua participação no seminário Competitividade Regional realizado em Belo Horizonte na terça-feira (28/06), como parte do projeto "Competitividade Brasil - Custos de Transação":

Amcham: Os empresários mineiros apontaram em pesquisa da Amcham divulgada no seminário que projetos ligados à Copa terão alto impacto na infraestrutura de Minas Gerais nos próximos anos. Como empresa de construção pesada, onde a Fidens pretende focar seus negócios?

Fernando Frauches: Entendemos que a Copa do Mundo será o catalisador de ampliação da infraestrutura. Trata-se de investimentos que seriam feitos de qualquer modo, e que, com a Copa, acontecerão em um prazo mais curto.

Amcham: Que projetos seriam esses?

Fernando Frauches: A ampliação tanto do aeroporto internacional Tancredo Neves (Confins) como das principais vias de acesso a Belo Horizonte. Falo da rodovia Dom Pedro I e do anel rodoviário. Dentro da cidade, há a duplicação da avenida Antonio Carlos e a Linha Verde (conjunto viário que liga, entre outros pontos, o cento da cidade ao aeroporto internacional). Também teremos a reforma do estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão), mas os grandes investimentos serão nas indústrias hoteleira e viária, que atrairão o maior volume de recursos.

Amcham: Como anda o apetite dos investidores pelos projetos de melhoria?

Fernando Frauches: Temos dois grandes desafios. O primeiro é a carência de mão de obra qualificada, que hoje está com baixa produtividade. Precisamos investir muito na melhoria da produtividade e na qualificação dessa mão de obra. O segundo é a captação de recursos da iniciativa privada para atender a todo esse crescimento. O mercado brasileiro oferece crédito de longo prazo a altas taxas internas de juro, apesar de termos projetos com boa viabilidade financeira. Para diminuir as taxas internas de juro dos financiamentos nacionais, as empresas têm buscado atrair recursos internacionais. O financiamento é um fator fundamental para atender a esse nível de crescimento que as empresas pretendem promover.

Amcham: A pesquisa Amcham revelou que o setor de construção civil é um dos mais promissores para os empresários mineiros. Como a Fidens pensa em catalisar essas oportunidades?

Fernando Frauches: O Brasil está atravessando um momento economicamente interessante, e a perspectiva é que esse ritmo se mantenha nos próximos dez anos. Os setores de infraestrutura e commodities estão em velocidade de crescimento maior do que o PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Se a expectativa de aumento do PIB é de 5%, a de infraestrutura está na faixa de 10%. Pretendemos diversificar portfólio de clientes e setores. Estamos em petróleo e gás, rodovias, portos, ferrovias, saneamento, aeroportos, concessões e energia. No setor de petróleo, estamos participando da construção de três refinarias da Petrobras no Maranhão, em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Também estamos em busca de oportunidades no mercado internacional. Na África, estamos em Angola e Moçambique, e estudando mercados na América do Sul, como Colômbia e Peru.