Operações logísticas conjuntas e roteiros automatizados de transporte geram maior produtividade

por andre_inohara — publicado 27/06/2013 16h28, última modificação 27/06/2013 16h28
São Paulo – Consultor defende parcerias entre as empresas, para elas não dependerem de investimentos públicos
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A criação de operações logísticas conjuntas entre empresas e desenvolvimento de inteligência em rotas de transporte são algumas das formas de dar agilidade operacional e contornar os gargalos estruturais da economia brasileira.

A afirmação é do consultor Elcio Grassia, sócio da Integrare Consultoria, que foi um dos participantes do comitê estratégico de Compras Corporativas da Amcham-São Paulo na quinta-feira (27/06). Edson Carillo, vice-presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog) e diretor da consultoria Connexxion Supply Chain Engineering, também foi um dos palestrantes.

Elas, por si só, não são capazes de compensar as ineficiências decorrentes da logística de transportes, mas são ações que podem ser aplicadas de imediato e não dependem da boa vontade dos governos, de acordo com Grassia.

“A logística de transportes é um diferencial competitivo, mas se a operação de distribuição está custando mais do que a empresa pode pagar e está prejudicando as margens, porque não deixar a concorrência de lado e dividir essa estrutura com o concorrente?”, indaga ele.

O consultor reconhece que o compartilhamento de operações logísticas é algo pouco comum no Brasil, mas que se trata de um tipo de operação vantajosa para todos. “Aqui a resistência cultural é muito grande, mas o potencial de economia e otimização de custos é muito grande.”

Outra proposta é a de uso intensivo de programas de roteirização. “Uma rota que inclui 40 entregas diárias tem milhões de combinações possíveis. Hoje os programas podem gerar ganhos de até 33%”, comenta ele.

Mesmo o uso de versões mais simples de roteirizadores trazem resultados de curto prazo. “Um sistema simples normalmente exige investimento abaixo de R$ 100 mil, contando custos de software, treinamento de pessoal e integração de sistemas”, de acordo com Grassia. “São decisões que trazem complexidade, mas que pelo menos são independentes da ação pública.”

Investimentos em inteligência

Na falta de condições logísticas adequadas, a saída é continuar investindo em inteligência de mercado, disse Edson Carillo, da Abralog. “Investimentos em tecnologia e inteligência são necessários para continuar com a boa logística. Temos bons profissionais de logística e sistemas bem avançados, mas é a integração que nos permitirá encontrar caminhos melhores”, destaca Carillo.

A infraestrutura deficitária de transportes prejudica a geração de riquezas do país, pois afeta toda a cadeia produtiva. “O principal impacto é o aumento do custo. Esse prejuízo da empresa acaba sendo repassado ao fornecedor, e assim por diante”, avalia o consultor.

Outra conseqüência prejudicial às empresas é a necessidade de aumentar o nível de estoque, trazendo os custos inerentes de armazenagem. A morosidade da distribuição já faz parte da rotina operacional, mas não é raro acontecerem imprevistos. “Para não ter ruptura de abastecimento, as empresas usam modos de transporte menos eficientes, como o aéreo, para atender situações de emergência”, comenta Carillo.

Para o consultor, o programa de modernização logística lançado pelo governo perdeu objetividade. O Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), de 2005, surgiu como estudo da situação logística do País, e que continha propostas de melhoria, conta Carillo.

“Após algumas alterações no plano que previa ações nos próximos 20 anos, o governo federal reconheceu no final de 2012 que precisa encontrar cerca de R$ 200 bilhões para investir nessa infraestrutura”, segundo ele.

O plano está passando por uma reformulação, com a redefinição dos modelos de concessão para a iniciativa privada. “Mas ainda estamos com muitos debates e pouca execução”, lamenta o consultor.