Para aumentar o compliance, Danone, Thomson Reuters, GE Energy e Libbs reforçam a gestão de risco

publicado 29/07/2016 10h35, última modificação 29/07/2016 10h35
São Paulo – Lei Anticorrupção e Operação Lava Jato fez empresas redobrarem atenção a atos externos
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Atentos à prevenção de atos de corrupção, as empresas estão reforçando cada vez mais o mapeamento e a gestão de riscos dentro dos programas de compliance corporativo, conforme atestam empresas como Danone, Thomson Reuters, GE Energy e Libbs Farmacêutica, que participaram do 3º Seminário de Compliance e Gestão de Risco da Amcham – São Paulo na quarta-feira (27/7). “Nossas análises eram mais voltadas a risco de produto, regulatório e segurança patrimonial. Mas hoje temos questões de riscos externos, como corrupção e antitruste, que precisam estar em nosso radar”, disse Fábio Cunha, diretor jurídico, regulatório e de compliance da Danone.

No painel, também participaram Gabriela Nolasco, líder de compliance da GE Energy Connections para a América Latina, José Leonelio de Souza, head de desenvolvimento em negócios de governança, risco e compliance da Thomson Reuters, e Maurício Roncato, head de riscos e compliance da Libbs Farmacêutica. A moderadora foi Ana Paula de Medeiros Carracedo, head de governança, risco e compliance do Grupo Votorantim e vice-presidente do comitê de Compliance da Amcham – São Paulo.

Com a chegada da Lei Anticorrupção (12.846/13) e a deflagração da Operação Lava Jato da Polícia Federal em 2014, as empresas redobraram os cuidados para coibir o envolvimento de executivos e colaboradores em ocorrências ilícitas. Nesse contexto, as empresas tem procurado identificar em quais processos ou relações há maior potencial de exposição a práticas ilegais.

A avaliação de riscos é um processo dinâmico que deve refletir o cenário atual, argumenta Souza. “Os riscos de liquidez e mercado já são fartamente avaliados pelas empresas. Hoje, parte importante da sobrevivência delas passa por conhecer a fundo o risco operacional.”

Dentro dessa categoria, as empresas têm monitorado com atenção o relacionamento com seus terceiros contratados, que podem ser representantes comerciais, distribuidores, fornecedores e, em alguns casos, lobistas. Cunha disse que a pré-seleção de contratados ajuda a mitigar os riscos. “Em 80% a 90% dos casos, o dinheiro circula fora da empresa e fica difícil controlar esse fluxo. Uma pré-seleção baseada nos critérios da empresa é fundamental.”

Para Roncato, é importante definir regras e alçadas para esse relacionamento. “Quando se trata de gestão de risco, o segredo é a antecipação. Mas em casos de terceiros, a regra é ter o controle”, acrescenta. Já Gabriela destaca que mapear o risco de um terceiro ajuda a encontrar soluções. “É importante entender quais os caminhos possíveis para mitigar esse risco, caso a empresa decida trabalhar com ele.”