Para avançar em competitividade, Paraná tem de solucionar deficiências logísticas

publicado 14/07/2011 13h52, última modificação 14/07/2011 13h52
Daniela Rocha
Curitiba- Desafio é reduzir o tempo gasto com transporte e ampliar o espaço para armazenagem de produtos, destacam especialistas.
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A principal deficiência competitiva do Paraná está relacionada à estrutura de distribuição. É o que destacou Paulo Resende, diretor de Desenvolvimento da Fundação Dom Cabral, mediador do seminário Competitividade Regional realizado em Curitiba na quarta-feira (13/07), como parte do projeto "Competitividade Brasil - Custos de Transação" da Amcham.

No Estado, conforme levantamento do professor, praticamente todos os setores da economia têm apresentado expansão das suas capacidades produtivas desde o ano passado. Na outra ponta, crescem também a demanda de consumidores locais e de outros Estados, assim como as transações internacionais. Entretanto, há um gargalo que poderá colocar em risco esse momento de grandes oportunidades: a logística.

“O problema do Paraná está na sua capacidade de distribuição, exatamente aquela que suporta o equilíbrio entre a oferta e a demanda. Isso significa que são fundamentais incrementos na infraestrutura logística. O tempo de transporte deve ser reduzido e o espaço de armazenagem, ampliado”, ressaltou Resende. Nesse processo, devem ser organizadas as cadeias de valor dos negócios, com base na sustentabilidade e inclusão social.

Urgência

Para o diretor da FDC, se os problemas logísticos não forem resolvidos com urgência, haverá uma perda cada vez maior na atratividade do Paraná, sobretudo como porta de entrada e saída de produtos no fluxo de comércio exterior.

“Está havendo um deslocamento para os eixos logísticos do Norte e Nordeste”, comentou. Essas regiões têm recebido largos investimentos em portos, a exemplo do Complexo Industrial e Portuário de Suape, em Pernambuco. 

O deslocamento para Norte e Nordeste é comprovado pelo aumento do consumo de energia elétrica nessas regiões, acrescentou Lindolfo Zimmer, presidente da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica).

“O consumo de energia vem subindo muito naquelas áreas. É claro que, desde o final do ano passado, o Paraná tem apresentado um crescimento nas atividades industriais superior ao restante do Sul, mas deve continuar trabalhando por maior competitividade”, disse.

O desempenho industrial do Paraná teve uma expansão de 15% em 2010 em relação ao ano anterior, acima do crescimento desse setor no País como um todo, de 10%, ponderou Zimmer.

Planejamento e gestão

O presidente da Copel considera que, não apenas o Paraná, mas o País como um todo, incluindo governos e iniciativa privada, deve focar mais no planejamento, no desenvolvimento de projetos relevantes de energia e transportes que tragam vantagens no longo prazo.

Jaime Sunye Neto, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, teme que a demora no planejamento estratégico venha a ampliar os custos das obras em geral, especialmente as de mobilidade urbana relacionadas ao evento da Copa do Mundo de 2014.

No caso do Paraná, o estádio do Atlético Paranaense é um dos escolhidos pela Fifa (federação Internacional de Futebol). “Há ainda um mistério em relação aos projetos da Copa. Sem projetos, não existe planejamento, o que poderá causar inflação no valor das obras, como ocorreu com as dos Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro.”

Sunye Neto aproveitou para informar que o Instituto de Engenharia possui um banco de ideias com diversas propostas para melhoria de infraestrutura no Paraná, que poderia ser mais explorado.

Na visão de José Bosco Silveira, presidente da Brose do Brasil, fornecedora de sistemas elétricos de acionamento de vidros para indústria de automóveis estabelecida em São José dos Pinhais, ainda mais que o baixo volume de recursos financeiros aplicados em infraestrutura logística no País – apenas 0,2% do Produto Interno Bruto -, a gestão pública ineficaz é um elemento extremamente prejudicial.

“Vemos muitas vezes que, mesmo quando há dinheiro, faltam foco e velocidade no andamento das obras. É um problema de gestão. Podemos tomar como exemplo diversos projetos do PAC 1 e 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) que contam com dinheiro, mas não têm obras.”

Silveira considera que, no caso do Paraná, as principais dificuldades estão nas deficiências operacionais do Porto de Paranaguá e nas condições precárias das rodovias, que impõem custos adicionais aos negócios. “Quanto às rodovias, creio que a discussão política sobre os pedágios é importante. Esses contratos têm mesmo de ser discutidos. Porém, avalio que o objetivo central no Estado deve ser o debate sobre a qualidade real da infraestrutura”, enfatizou o presidente da Brose.

Considerada um dos caminhos para potencializar os recursos em logística, a efetivação das Parcerias Público-Privadas depende muito da análise dos riscos envolvidos pelo meio empresarial, explicou Silveira. “Se os riscos são altos, inviabilizam as parcerias. É preciso avançar na clareza das licitações e na segurança jurídica, como está até demonstrado na pesquisa de competitividade regional da Amcham.”


Todos os modais


“Todos os modais de transportes no Paraná precisam melhorar”, acrescentou Mauro Fortes Carneiro, diretor de Produção da Ferroeste (Estrada de Ferro Paraná Oeste), sociedade de  economia mista que tem no governo do Paraná seu maior acionista.

Em relação ao plano de expansão e melhorias da malha ferroviária do Estado, em elaboração, ele explicou que precisará contemplar o atendimento aos produtos de valor adicionado. As ferrovias do Estado, que ao longo dos anos vêm sendo utilizadas especialmente para o transporte de grãos, deverão estar preparadas para suportar novos perfis de mercadorias.

“Notamos no dia a dia o aumento do tráfego de contêineres. Não há dúvidas de que as cargas de maior valor agregado ganharão mais espaço. Essa é tendência”, disse Carneiro.

Carneiro mencionou um estudo do Instituto de Engenharia para expandir um dos trechos da malha, criando um acesso na Ilha Rasa ao Porto de Paranaguá. “Isso porque a expansão do Porto de Paranaguá tende a ser para a Ilha Rasa. Estudamos esse traçado apesar de entendermos que há muitas dificuldades ambientais e sabendo que existem índios morando lá.” Há, contudo, um levantamento paralelo para fazer a entrada do novo trecho diretamente por Paranaguá.

A proposta da entrada por Ilha Rasa será encaminhada aos governos estadual e federal. "Mas isso não significa que vai acontecer. São necessários muitos estudos", ponderou.