Para empresas, modelo de integração de investimentos da AL é insatisfatório e impacta comercialmente

publicado 24/08/2016 08h52, última modificação 24/08/2016 08h52
São Paulo – Pesquisa da Amcham levantou oportunidade e gargalos na visão de 73 executivos com operações em países da região
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O atual modelo de integração de investimentos da América Latina é insatisfatório e reduz a capacidade de aproveitamento comercial de empresas e indústrias. Esta é a conclusão de pesquisa da Amcham com 73 executivos de empresas com operação na região.

Na enquete, que levantou gargalos e oportunidades na atuação empresarial em países latinos, a maioria (62%) dos consultados classificou como insuficiente às políticas econômicas entre países. E outros (32%) enxergaram de forma parcialmente satisfatório, apontando grande necessidade de rejuvenescimento das ações integradoras.

Segundo os empresários, a falta de integração reduziu a capacidade empresarial de explorar oportunidades comerciais em países vizinhos. Na pesquisa Amcham, mais da metade (52%) informou que aproveita parcialmente outros mercados; e 18% tem interesse em aumentar a penetração na região. Só 10% avaliam explorar na totalidade seu segmento em todos os países.

Gargalo é politico

Para 45%, a integração na América Latina esbarra em aspectos políticos. Eles enxergam interesses partidários e políticos conflitantes como principais impedimentos. Outros 29% dos consultados citaram questões comerciais, em virtude do baixo número de acordos comerciais firmados entre países da região. 

Infraestrutura é área chave

O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu, recentemente, relatório recomendado integração em setores prioritários. Nesta linha, para 62%, infraestrutura é a área chave das ações reestruturação, colaboração e investimentos na AL. Outros setores citadas foram tecnologia da informação (16%) e educação (12%).

Impacto externo e perspectivas

Fatores externos devem impactar negativamente as economias dos países latinos, de acordo com 49% dos respondentes. Foram citados: o fim do superciclo de commodities, indefinição politica nos EUA, desaceleração da economia chinesa e o Brexit e reorganização da União Europeia.

Apesar da influência negativa externa, 83% avaliam que o contexto econômico deve melhorar na América Latina. Sendo que 42% enxergam uma recuperação pontual, com cenário comercial e produtivo seguindo incerto. Outros 41% mais otimistas acreditam já em retomada de crescimento moderada a partir de 2017. 

A pesquisa da Amcham foi realizada no último dia 12/8, durante o Seminário de Integração Comercial e de investimentos na América Latina, promovido pela Amcham, em São Paulo.

Na sondagem, os  países citados como mais relevantes na América Latina foram: Brasil (40%); Argentina (26%); México (12%); Chile (7%); e Colômbia (4%); e Peru (3%).