Para especialistas, educação precisa de melhor formação de professores e alocação de investimentos públicos

publicado 27/02/2015 12h25, última modificação 27/02/2015 12h25
São Paulo – Segundo Claudia Costin, diretora de Educação do Banco Mundial, o setor teve avanços, mas enfrenta problemas persistentes
especialistas-foto01.jpg-5716.html

A melhor formação de professores e alocação dos investimentos públicos na educação são duas medidas essenciais para o desenvolvimento do setor, de acordo com Claudia Costin, diretora de Educação do Banco Mundial, e Francisco Soares, presidente do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que estiveram no seminário Iniciativa privada e os agentes de educação no Brasil, promovido pela Amcham-São Paulo na quarta-feira (25/02).

O evento também contou com a participação do instituto profissionalizante Centro Paula Souza e das empresas Fundação Telefônica Vivo, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Mendes Junior Engenharia (leia mais aqui).

“Precisamos selecionar e formar melhor os professores, oferecendo cursos profissionalizantes, atualização constante e mentoria”, disse Claudia. Ela destacou a importância de acompanhar a evolução desses profissionais em sala de aula e dar feedbacks sobre seu trabalho.

Soares sugeriu também o estudo da alocação da verba pública destinada ao setor. De acordo com ele, além de aumentar o investimento, é preciso utilizá-lo de maneira melhor.

“O investimento na educação representa 6,9% do PIB, mais do que a média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No entanto, o gasto por aluno é de US$ 12.4 mil no ensino superior, sem considerar pesquisa, US$ 2.7 mil no fundamental, e US$ 2,1 mil na educação infantil”, revela Claudia. “O governo gasta 11 vezes mais no ensino superior do que no ensino básico. Vemos na forma de alocar esses recursos uma mudança”, completa Soares.

Continuação e conclusão dos cursos são indicadores de qualidade

Outra medida fundamental para o desenvolvimento da educação brasileira é a observação dos alunos em sala de aula para identificar o que pode ser melhorado. Para Claudia, poder analisar e entender seus comportamentos é uma das maiores vantagens dos cursos presenciais, além de ser uma maneira de incentivar a permanência deles nos estudos.  

Juntamente com a ampliação do acesso aos ensinos infantil, fundamental e médio e a garantia de conhecimentos, a continuação no curso é um indicador de eficiência para Soares. “A qualidade da educação é composta por três pontos: acesso, permanência e aprendizados”, disse.

Dados da OCDE mostram que o acesso ao ensino fundamental é quase universalizado no Brasil, mas ainda há grande defasagem entre idade e série e o aprendizado de português e matemática continua deficiente. “Escolarização não é aprendizado”, ressaltou a diretora do Banco Mundial.

Segundo ela, apenas 10,8% dos municípios que participaram da pesquisa da OCDE atingiram a meta intermediária em matemática na Prova Brasil, aplicada aos alunos do 9º ano. Em português, o percentual foi de 29,6%. “No 9º ano, 73% dos alunos não aprenderam o adequado em português e 83% em matemática”, diz.

No ensino médio, o desempenho não é muito diferente: em 2013, o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi de 3,7 pontos, abaixo da meta estipulada pelo governo. A taxa de abandono – avaliada em 25% – é um dos principais desafios. “Dos jovens de 18 a 24 anos, somente 37% tinham completado essa etapa”, conta Claudia. “1,7 milhão de jovens entre 15 a 17 anos, que corresponde à faixa etária regular do ensino médio, estão fora da escola”, ressalta.

Já no ensino superior, mesmo com a ampliação do acesso às universidades com o apoio do PROUNI e do Fies, apenas 13% da população de 25 a 34 anos alcançaram o nível universitário. “O número ainda está muito abaixo da média da OCDE de 39%”, conclui.

Confira abaixo a galeria de fotos do seminário.