Parceria entre as áreas de RH e Finanças tende a melhorar gestão de funcionários afastados e reduzir encargos trabalhistas

por andre_inohara — publicado 11/07/2012 12h04, última modificação 11/07/2012 12h04
São Paulo – Em parceria, áreas de finanças e RH podem desenvolver estratégias de acompanhamento e medição de satisfação dos funcionários.
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Investir em Segurança e Saúde Ocupacional, além de evidenciar boas práticas de gestão de pessoal, também gera redução de custos. Os cuidados com a saúde física e psicológica dos colaboradores ganharam impulso em 2010, quando o Ministério da Previdência Social (MPS) criou uma regra determinando que as empresas com menor incidência de afastamentos de trabalho recolherão menos contribuição previdenciária.

Desde então, as empresas têm dado mais atenção ao monitoramento do clima organizacional interno como forma de detectar e prevenir possíveis afastamentos de trabalho pelo INSS (mais de quinze dias). A tarefa está a cargo do RH, mas o apoio da área financeira – por meio do desenvolvimento de métricas de desempenho – facilitaria muito esse trabalho, de acordo com Oswaldo Merbach, diretor administrativo e comercial da consultoria de pessoal B2P.

“O gestor de RH é treinado para fazer o acompanhamento de clima organizacional e dos afastados. Mas eles precisam ser cobrados por indicadores que digam se os resultados estão realmente melhorando”, afirmou o executivo, após reunião do comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (12/07).

Veja aqui: Investimentos em promoção de saúde permitem maior retenção de executivos e diminuem custos corporativos

Há dois anos, o MPS criou o FAP (Fator Acidentário de Prevenção), mecanismo que determina a contribuição previdenciária das empresas baseado nos índices de acidentes de trabalho que ela apresenta. Segundo Merbach, esse imposto pode ser minimizado por meio de uma gestão eficiente dos afastados.

“O único imposto que é variável é o que está agregado aos afastados da Previdência (INSS). Se a empresa evita doenças e acidentes e afasta poucos funcionários, pode ser bonificada pagando metade do imposto devido”, comenta.

Imposto previdenciário pode cair pela metade ou dobrar

A nova fórmula de recolhimento previdenciário pode reduzir a tributação pela metade ou dobrá-la, dependendo do que a empresa fizer. Na Previdência, cada empresa é classificada pelo grau de risco de sua atividade econômica. Ela é medida pelo RAT (Risco Ambiental de Trabalho), índice que vai de 1 (risco mínimo) a 3 (risco máximo).

Por sua vez, o FAP é um fator multiplicador que varia entre 0,5 a 2 e é aplicado sobre o RAT. Quanto menos afastamentos de trabalho, seguindo os critérios do INSS, menor o índice FAP. “Imaginando que uma empresa tenha risco máximo de 3% e FAP de 2, ela vai pagar 6% de imposto sobre a folha de pagamento. Se ela for cuidadosa e baixar o FAP para 0,5, ao multiplicar esse fator com base no risco máximo, recolherá um encargo de 1,5%”, explica Merbach.

Para um departamento financeiro, redução de impostos “soa como música”, conforme o executivo. “É preciso que os gestores financeiros olhem por esse ângulo, para que eles se mobilizem no sentido de ter uma vantagem competitiva ao pagar menos imposto. Porque isso é possível com um processo de afastados bem gerenciado”, argumenta.

Pelo fato de a regra ter apenas dois anos, as empresas ainda estão aprendendo a administrar seus afastados. “A maneira de fazer (a contribuição previdenciária) foi inteligente, mas nem todo mundo entrou na mesma sintonia. Quando as empresas se adequarem, teremos mais promoção à saúde e menor índice de afastados”, comentou Simone Ramos de Miranda, gestora de Saúde e Bem-Estar da Atento, empresa de contact center da Telefonica.

A executiva participou da reunião conjunta dos comitês de Gestão de Pessoas e Saúde em 31/05 na Amcham-São Paulo, cujo tema abordou as iniciativas das empresas para promover a saúde de seus colaboradores.

Para a gestora, o benefício se estende a toda a cadeia. As empresas podem reduzir a arrecadação tributária com a realização de trabalhos de prevenção, os trabalhadores acabam tendo mais medidas de prevenção e melhoria da qualidade de vida e a Previdência Social diminui os gastos futuros com os benefícios de natureza acidentária.

Mapear o clima interno da organização é fundamental para detectar afastamentos potenciais

Uma boa administração de afastados consiste em diagnosticar o clima organizacional, entender os motivos dos afastamentos e buscar as causas potenciais de novos afastamentos. “Muitas vezes, o afastado começou a dar sinais de afastamento antes de acontecer. Ele pode estar apresentando sinais de presenteísmo (quando o colaborador está presente fisicamente, mas com a concentração dispersa em função de problemas diversos)”, segundo Merbach.

“Se as situações de presenteísmo ou absenteísmo (ausências, faltas ou atrasos) não forem equacionadas, podem derivar para uma somatização que pode evoluir para o afastamento”, acrescenta. A investigação das causas é o primeiro passo para combater esses sintomas, e muitos afastamentos são causados por problemas de clima organizacional.

Não é raro encontrar equipes submetidas a metas estressantes de trabalho ou estilos autoritários de comando, de acordo com o executivo da B2P. Depois de identificadas as causas de afastamento, é preciso medir o progresso das ações de melhoria da saúde ocupacional com métricas de desempenho.

“A prevenção de afastamentos é feita através de mapeamento, diagnósticos e ações específicas, sempre medindo os resultados. Mas é preciso cobrar os gestores com base em indicadores de desempenho, para que se possa enxergar a melhora dos resultados”, assinala Merbach.