Paulo Tafner defende sistema previdenciário misto

publicado 21/05/2019 14h17, última modificação 22/05/2019 15h27
São Paulo – Em Webinar sobre a reforma da previdência, especialistas esclareceram dúvidas a respeito da mudança
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Da esquerda para a direita: Paulo Tafner (Fipe), Fernando Dantas (Estadão) e Felipe Bruno (Mercer)

Presente de forma massiva nos noticiários, a Reforma da Previdência que tramita no Congresso divide a opinião pública. Por um lado, a mudança é alvo de críticas de quem ainda desconfia da eficácia dela, e, por outro, é defendida vigorosamente como carro-chefe da recuperação econômica do País.

Sendo assim, para entender o funcionamento da reforma, realizamos na sexta-feira (26/04) o Webinar “O que esperar da Reforma da Previdência?”. O bate-papo, transmitido online, teve a presença de um dos coordenadores da proposta entregue ao governo, Paulo Tafner; do líder da previdência da Mercer no Brasil, Felipe Bruno, e foi mediado pelo colunista do jornal Estadão Fernando Dantas.

Tafner falou sobre a importância da mudança e defendeu um sistema misto. “Sou a favor de existir uma camada de capitalização e uma parte de repartição solidária, porém não no teto de R$ 5,8 mil”, afirmou. O economista acrescentou que, na repartição solidária, o teto deveria seguir a realidade remuneratória do País: “Mais de 90% dos trabalhadores ganham até três salários mínimos.”

Deste modo, Tafner explica que o modelo seria uma capitalização dentro do limite de R$ 5,8 mil, com repasse do teto da fatia de repartição. “O sistema público iria garantir a renda de até três mil e poucos reais, que pega 90% dos trabalhadores”, explica.

Em pesquisa da Mercer, nos países com os melhores sistemas previdenciários do mundo o teto do sistema de repartição repõe, em média, entre 50% e 60% da renda média do país. “No caso do Brasil, a renda média do brasileiro hoje é 2.300 reais e o teto é mais de duas vezes a renda média do brasileiro; ele é muito alto”, aponta Paulo.

Pirâmide etária

Outro ponto reforçado pelos especialistas foi o aumento da idade média. Bruno explica que os países vizinhos do Brasil já atingiram os 65 anos na previdência. Em relação aos países mais desenvolvidos, há também o que o executivo chama de gatilhos programados para elevar a faixa etária; sem a necessidade de aprovação do Congresso, por exemplo.

Além disso, vários países já atrelam essa idade aos ganhos de expectativa de vida que são mensuradas pelos institutos de pesquisa deles. “Sendo assim, todo ano há uma nova tabela de expectativa de vida e a previdência se moldam com isso”, comenta.

Segundo dados apresentados por Tafner, Em 2060, o Brasil terá apenas 28 milhões de crianças, o que hoje é 45 milhões. A população de adultos, que é a que gera riqueza e contribui para a previdência, será de 116 milhões – Apenas em 2020 a população economicamente ativa será de 136 milhões. Por fim, a população de idosos será de 73 milhões.

“O que mais pressiona os sistemas previdenciários no mundo é a demografia, ou seja, é a forma como a sociedade se reproduz e como ela é longeva; Por mais que não queiramos discutir outros aspectos da previdência, só com esse fato, já temos que tomar providência para mudar as regras”, finaliza Tafner.

 

Você pode assistir a íntegra do Webinar no Amcham Connect, plataforma exclusiva dos nossos associados.