Pedro Malan: “nenhum partido deverá ter mais que 15% do Congresso, exigindo um presidente de coalizão”

publicado 12/06/2018 16h22, última modificação 12/06/2018 17h02
São Paulo – Na Amcham, ex-ministro destacou interação entre política e economia em reunião especial do Comitê Estratégico

Depois das eleições, o Congresso estará mais diluído e o próximo presidente terá que dialogar mais com os partidos para aprovar medidas necessárias ao crescimento econômico. É o que afirma Pedro Malan, presidente do Conselho Consultivo Internacional do Itaú Unibanco a uma plateia de 60 presidentes de grandes empresas que participaram dos comitês estratégicos de CEOs & Chairpersons e Presidentes da Amcham-São Paulo na terça-feira (12/6).

“O próximo presidente, quem quer que seja, terá que ser um presidente de coalizão”, afirma o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central. “Ele terá que lidar com um congresso já eleito e, dado o rumo que tomar as questões de financiamento do fundo eleitoral e partidário, provavelmente terá taxa de renovação reduzida. Nenhum partido deverá ter mais que 15% do Congresso”, argumenta.

Para Malan, a questão do Congresso não é trivial. “Espero que ao longo dos 120 dias, nossa preocupação não seja só com a eleição presidencial. É fundamental escolher bem o seu deputado federal. Nossa democracia exige que o Executivo não tenha relação disfuncional com o Congresso (Legislativo).”

Setor público tem que dar espaço

Para promover o crescimento da economia, o setor público precisa da ajuda do empresariado. “Ele precisa abrir espaço para o setor privado doméstico e internacional atuar em curto e médio prazos.”

É essencial, segundo o ex-ministro, haver entendimento no governo para viabilizar a participação do empresariado na economia. “Consenso não existe. Mas um grau de convergência um pouquinho maior nessa ideia de que o setor público não pode tudo é necessária”, observa.

Em sua época de ministro, Malan lembra que a convergência política foi necessária para avançar na privatização das áreas de telecomunicações e financeiro na década de 1990. Foi preciso contornar, com apoio do Congresso, restrições constitucionais à venda de ativos nos dois setores. “Era o Brasil que precisava de mais investimentos nas áreas de infraestrutura, e não o governo FHC.”

Seria inimaginável o Brasil ter a atual estrutura de comunicações se ainda existissem 27 operadoras estatais de telefonia (uma em cada estado), segundo o ex-ministro. “Cada estado teria a sua diretoria alterada a cada quatro anos, quando mudasse o governador. O mesmo vale para os bancos estaduais, que continuariam emprestando aos governadores e estatais locais. Que, por sua vez, não pagariam os bancos de acordo com os termos originalmente contratados”, argumenta.

Pilares do crescimento

Para o Brasil voltar a crescer e ter uma economia mais produtiva e competitiva, Malan enumara mais quatro frentes de atuação do próximo presidente.

Na esfera macroeconômica, o ex-ministro defende a manutenção das políticas monetária e cambial. Já a política fiscal é o “calcanhar de aquiles” do governo e precisa ser equacionada nos três níveis de governo. “Embora há urgências, a solução é gradual”, comenta.

Também é preciso, segundo Malan, fazer melhorias na área microeconômica (gestão pública, segurança jurídica e regulatória), avançar nas reformas (Previdência e tributária) e ter preocupação com o social.

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