Pernambuco abre cerca de 10 mil novas vagas de emprego por mês

por daniela publicado 04/08/2011 09h45, última modificação 04/08/2011 09h45
Daniela Rocha
Recife – Formação de profissionais tem exigido esforços conjuntos de governos e empresas, destaca Antonio Carlos Maranhão, secretário de Trabalho do Estado.
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A economia de Pernambuco cresce em um ritmo mais acelerado do que a média do País e, assim, cerca de 10 mil novas vagas de emprego são abertas a cada mês no Estado. A capacitação de profissionais, principalmente nos níveis técnico de ensino médio e superior, tem exigido esforços conjuntos de governos e empresas, destaca Antonio Carlos Maranhão, secretário de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo do Estado.  De acordo com ele, algumas iniciativas já colocadas em prática demonstram que esse tipo de articulação garante resultados positivos.

A construção civil e a indústria metal-mecânica são os setores mais demandantes; porém, diversas áreas carecem de profissionais. Segundo o secretário, atualmente, o Estado tem recebido trabalhadores de outras regiões, o que representa inversão de uma tendência histórica.

Maranhão participou nesta sexta-feira (05/08) do evento Competitividade Regional promovido pela Amcham em Recife. Após o evento, ele concedeu uma entrevista ao site da entidade sobre os desafios do Estado para a formação de mão de obra e para solucionar gargalos de infraestrutura de transportes:

Amcham: Quais são os setores da economia que mais empregam em Pernambuco?
Antonio Carlos Maranhão:
Temos um levantamento da mão de obra ocupada no Estado que aponta grande prevalência de serviços, com 51% do total de ocupação. Na Região Metropolitana do Recife, por exemplo, a estimativa do número de ocupados é de cerca de 1,6 milhão de pessoas, sendo 870 mil empregadas no setor de serviços; 300 mil atuando no comércio; 152 mil na indústria de transformação; 110 mil em construção civil; e o restante em outras áreas. Esse panorama do número de ocupados por setor de atividade na Região Metropolitana de Recife inclui Suape.

Amcham: Mais quais são áreas que demandam mais profissionais atualmente?
Antonio Carlos Maranhão:
Com certeza, hoje, os setores de construção civil e metal-mecânico são os mais dinâmicos. Porém, todas as áreas têm demandas por profissionais. Pernambuco tem uma base de dois milhões de trabalhadores, mas vem gerando anualmente mais de 115 mil novos empregos, sem considerar a movimentação normal de saídas e entradas no mundo do trabalho. No último ano, foram registrados 520 mil desligamentos e 640 mil admissões, o que dá um saldo de 120 mil novas vagas, ou seja, uma média de 10 mil vagas abertas por mês. Estamos atentos a essa situação. Há momentos críticos como nos casos de retomadas de obras ou novas frentes de trabalho. Por exemplo, um empreendimento do tamanho da ferrovia Transnordestina gera instabilidade, assim como investimentos na cidade-sede da Copa (São Lourenço da Mata) e o projeto Minha Casa MinhaVida (habitação)  levam a algum desequilíbrio entre a oferta e demanda de profissionais.

Amcham: A pesquisa da Amcham sobre competitividade no Estado aponta que a escassez de profissionais é mais forte no nível técnico, tanto de ensino médio e quanto superior. O que o governo tem feito para resolver esse problema?
Antonio Carlos Maranhão:
Estamos montando uma rede de formação e qualificação profissional de nível técnico envolvendo a rede federal, estadual e o sistema S – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e Serviço Social do Comércio (Sesc) – para atender as necessidades do Estado nas mais diversas áreas. Mas, com certeza, o foco maior será nos setores mais demandantes, que são a construção civil e os serviços de montagem industrial por conta de Suape.

Amcham: O Estado tem importado profissionais de outras regiões do País?
Antonio Carlos Maranhão:
O Estado não tem importado mão de obra. São os profissionais de outras regiões que se sentem atraídos pelo crescimento de Pernambuco, que ultrapassou em mais de 20% o da economia brasileira. Em 2010, tivemos uma expansão no PIB (Produto Interno Bruto) de 9,3%, contra a de 7,5% registrada pelo País. Então, o fluxo que infelizmente víamos no passado, de saída de trabalhadores porque o crescimento de outras regiões era maior, agora se inverte, uma vez que estamos avançando em um ritmo mais vigoroso.

Amcham: As companhias têm oferecido capacitação local?
Antonio Carlos Maranhão:
Em alguns casos, sim, como na instalação do primeiro estaleiro, o Atlântico Sul, que hoje tem cerca de 10 mil profissionais trabalhando, dos quais 7.500 diretos e 2500 indiretos. O governo do Estado, prefeituras municipais do entorno de Suape e o sistema S fizeram um esforço conjunto de capacitação que deu resultado. Foi possível atender às demandas iniciais do estaleiro. Hoje, estamos repetindo esse esquema na implementação do segundo estaleiro, o Promar. Trata-se de um plano de capacitação de 1500 pessoas para esse trabalho.

Amcham: Essa articulação entre governo e iniciativa privada tem sido importante?
Antonio Carlos Maranhão:
É essencial. Agora mesmo, estamos iniciando um convênio com a Petrobras e, dentro desse convênio, está prevista a formação de 200 novos professores nas áreas de petróleo, gás e construção naval. Estamos em parceria – governo do Estado e Petrobras –, iniciando um processo para formação de 200 professores, que posteriormente capacitarão 4 mil novos trabalhadores.

Amcham: Na sua visão, falta algum tipo de incentivo do governo federal para as empresas que investem em treinamentos?
Antonio Carlos Maranhão:
Tramita em caráter de urgência urgentíssima no Congresso Nacional o projeto do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que envolve um fundo de investimento para o ensino técnico. Dentro dele, haverá disponibilização de bolsas para estudantes e trabalhadores, que são assistidos pelos programas de complementação de renda, e haverá ainda financiamentos especiais, tanto para o trabalhador hoje empregado quanto para as empresas que querem qualificar seu pessoal.

Amcham: O empresariado da região também apontou no levantamento da Amcham que a infraestrutura de transportes da região é precária, principalmente as estradas. Quais as providências que o governo está tomando?
Antonio Carlos Maranhão:
É evidente que, no ritmo de desenvolvimento de Pernambuco e especialmente nos pontos de crescimento mais intenso como a Região Metropolitana de Recife e Suape, temos alguns gargalos de infraestrutura; porém, eles estão sendo tratados. Então, hoje temos em andamento a obra da rodovia Transnordestina, que liga Suape ao sertão, prossegue até o Piauí e faz a interligação com o Porto do Pecém, no Ceará. Está em construção um Arco Metropolitano, que sai do Sul de Suape e chega próximo de Goiana, ao Norte, onde fica o polo famoquímico. Além disso, para Suape, especificamente, teremos o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT, um metrô de superfície), uma melhoria no transporte urbano. Fala-se desse gargalo com razão, mas é um ônus do desenvolvimento. Somente nas obras da refinaria e na petroquímica de Suape, que são vizinhas de muro, estão trabalhando cerca de 35 mil pessoas. Considerando uma média de 50 pessoas por ônibus, isso significa 700 ônibus. Como os horários de entrada e saída coincidem, é impossível não haver congestionamentos.