Pernambuco quer multiplicar mão de obra especializada para atender às demandas do crescimento

por andre_inohara — publicado 08/08/2011 17h36, última modificação 08/08/2011 17h36
André Inohara
Recife – Estado tem metas agressivas para aumentar formação de pessoal técnico e de ensino médio.

O crescimento econômico acelerado de Pernambuco, acima da média nacional, está criando inúmeras oportunidades profissionais para seus habitantes, mas a falta de capacitação tem feito com que boa parte das vagas especializadas seja preenchida por gente de fora.

Em 2010, o PIB do Estado cresceu 9,3%, acima do dado nacional, que foi de 7,5%. Para suprir suas necessidades presentes e futuras, o Estado quer ampliar agressivamente a oferta de gente formada nos níveis técnico, médio e superior, além de estreitar parcerias com o setor privado para garantir que as demandas das companhias sejam contempladas nas grades curriculares.

“É preciso ter uma estratégia de guerra para aumentar os cursos técnicos e a qualificação básica”, disse Antonio Carlos Maranhão, secretário de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo do Estado de Pernambuco.

Na sexta-feira (05/08), ele participou, junto com representantes do setor privado e de instituições acadêmicas, do seminário Competitividade Regional em Recife, que integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham.

O evento debateu propostas para formar mão de obra em maior quantidade e com mais qualificação no Estado, além de outros desafios à competitividade regional e nacional.

Metas de formação de mão de obra até 2014

Pernambuco tem hoje enormes desafios do ponto de vista de formação de profissionais, como elencou o representante da Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo de Pernambuco:

- Aumentar drasticamente a oferta de qualificação básica associada à correção na formação dos alunos. A intenção é, no curto prazo, passar das 20 mil matrículas verificadas em 2010 para 50 mil em 2012, e chegar a 100 mil até 2014.

- Qualificar a oferta, dialogando com as empresas para que elas contratem mais pessoal recém-formado. “É preciso fazer com que a porta de saída dos programas coincida com a porta de entrada das companhias. Não se pode fazer inclusão social quando uma empresa pede experiência prévia a alguém que acabou de se formar”, argumentou Maranhão.

- Ampliar a oferta de educação profissional de nível técnico de forma integrada ao ensino médio. O plano da secretaria é passar das atuais 20 mil matrículas para 40 mil em 2012 e alcançar 80 mil em 2014.

“Mas formação profissional não é responsabilidade de um lado só. É preciso que as empresas ofereçam mais estágios aos jovens aprendizes”, afirmou o secretário, reforçando a relevância do papel das empresas para o sucesso da iniciativa.

- Formar 1.500 professores para enfrentar esses desafios, capazes de transmitir conhecimento e construir competências.

- Criar um Centro de Certificação Profissional para atestar e diplomar a competência dos formandos. Os programas de qualificação seriam feitos em conformidade com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Alusa importa mão de obra

A falta de engenheiros e profissionais qualificados no Recife está fazendo com que a Alusa Engenharia, empresa de infraestrutura que atua nos setores elétrico, de telecomunicações e óleo e gás, tenha de contratar mão de obra de outras localidades para suprir os projetos em Pernambuco.

A Alusa emprega 2 mil pessoas em obra local de refinaria da Petrobras pretende aumentar seu efetivo para 5 mil nos próximos anos, disse Rogério Rodrigues da Rocha, gerente do empreendimento Casa de Força (CAFOR) da Alusa Engenharia.

“Toda a mão de obra de nível superior e técnico é importada”, revelou ele. “Como esses cargos representam a parte principal da fatia salarial, acabamos deixando contribuir para melhorias (socioeconômicas) na região.”

Para formar o pessoal de que necessita, a Alusa mantém diversos programas de qualificação. Em nível fundamental, treina funcionários nos próprios canteiros de obra.

Por meio de uma parceria com a Petrobras e o Sesi (Serviço Social da Indústria), a Alusa desenvolve o PDMO (Programa de Desenvolvimento de Mão de Obra), no qual são formadas turmas de acordo com a demanda da Alusa e da Petrobras.

Centro de TI oferece oportunidades de treinamento e contratação aos melhores pesquisadores

O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), consultoria privada em Tecnologia da Informação (TI), diante do atual cenário de escassez de profissionais especializados, criou o CESAR.EDU, que oferece programas educacionais direcionados ao mercado, com foco em inserção prática dos profissionais no ambiente de negócios de TI.

São selecionados engenheiros, mestrandos e doutorandos da área para treinamento e desenvolvimento de projetos, que podem ser absorvidos pelo próprio CESAR ou então pelo mercado.

Há ainda um programa de estágio, considerado um verdadeiro colchão de formação. Mesmo com as duas iniciativas, o CESAR ainda se depara com dificuldades para preencher algumas vagas.

“Contratamos 95% dos nossos estagiários ao ano. Ainda assim, não suprimos todas as posições em aberto. Até dezembro, serão 120 vagas, uma demanda muito especializada de mestres, doutores e engenheiros de software para atender nossos clientes”, pontuou Ana Maria Souto Maior de Souza Neto, gerente de Capital Humano do CESAR.

UFPE fecha parcerias com outras instituições e cria cursos específicos

A busca de intercâmbio com outras instituições foi uma das formas que a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) encontrou para atender à demanda por quadros técnicos no Estado.

Na área de engenharia, a universidade está finalizando a criação de dois grandes laboratórios, disse Anísio Brasileiro, pró-reitor para assuntos de Pesquisas e Pós-Graduação da UFPE.

Um laboratório de pesquisas em petróleo e gás está para ser montado, graças a uma parceria com a Petrobras, revelou Brasileiro.
Outro centro de pesquisas está sendo feito em parceria com o Instituto Nacional de União de Materiais, para a pesquisa de ligas metálicas para a indústria naval e os estaleiros de Suape.

“Também estamos criando o terceiro curso de graduação em engenharia naval, que funcionará ao lado da Escola Politécnica da USP e da UFRJ. Nossos estudantes farão intercâmbio em São Paulo e Rio de Janeiro, e os professores dessas instituições virão para Pernambuco”, comentou.