Pesquisa Amcham: investimentos em estradas, portos e mobilidade urbana devem ser priorizados em PE

publicado 27/09/2013 15h42, última modificação 27/09/2013 15h42
Recife – Estudo apresentado no Ciclo de Desenvolvimento Regional aponta a visão do empresariado sobre a competitividade local
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Investimentos em infraestrutura, em especial, estradas, portos e mobilidade urbana, devem ser priorizados em Pernambuco, segundo pesquisa da Amcham-Recife apresentada na terça-feira (24/09) no Ciclo de Desenvolvimento Regional promovido pela entidade. A pesquisa aplicada em julho com 247 gestores locais embasou as discussões do evento focado na análise da melhoria da competitividade do estado.

De acordo com o estudo da Amcham, os esforços públicos para a melhoria da economia local devem ser traduzidos prioritariamente em investimentos em estradas, portos e mobilidade urbana. Na visão de 41% de diretores e executivos entrevistados, os investimentos nos três quesitos são os pontos prioritários na ampliação da competitividade da economia pernambucana.

A questão de infraestrutura também aparece na pesquisa como ponto-chave para a necessidade de descentralizar o desenvolvimento e a concentração urbana. Para 24% dos entrevistados, é preciso investir em ações para o desenvolvimento econômico do Estado. Outras prioridades apontadas foram relacionadas a qualificação de mão de obra técnica (21%) e superior (12%).

“O desenvolvimento da região tem sérios obstáculos infraestruturais. É preciso investir tanto na modernização das instituições públicas, como também nos meios viários e portuários”, explicou Valdecir Monteiro, sócio-diretor da Ceplan e um dos palestrantes do evento.

Ainda de acordo com o estudo, o empresariado local indicou Olinda (36,84%), Petrolina (12,26%), Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho (empatados com 11,58%) como os novos polos de investimento, ponto que foi justificado pelos convidados como uma fuga do centro – com infraestrutura saturada e fornecedor de poucas alternativas para o desenvolvimento industrial. No ranking, a capital pernambucana aparece apenas na oitava colocação (4,21%).

“Quando não há novos incentivos da administração pública que amenizem os problemas da capital, é natural que as organizações se voltem para as regiões periféricas, onde a competição não é tão acirrada”, comenta Roberta Montezuna, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, que participou do painel de debates do evento.

 Além disso, na visão de Júlio Gil, presidente da Elcoma Computadores e do Conselho Regional da Amcham-Recife, existe uma tendência de maior procura por qualidade de vida. “A tendência é buscar locais que possam provir qualidade de vida também no mundo corporativo”, afirmou. 

 Ações do governo

 Durante o I Ciclo de Desenvolvimento Regional da Amcham-Recife, o governo de Pernambuco apresentou as ações estaduais voltadas a sanar os apontados gargalos da economia, que incluem melhoria das estradas, portos e mobilidade urbana – criação de corredores fluviais, estações, terminais e passarelas, além da revitalização da BR-101. “Temos consciência das dificuldades e estamos trabalhando em obras e propostas rápidas de melhoria”, esclareceu do secretário das Cidades do Governo de Pernambuco, Danilo Cabral.

 “Recife precisa de ações que gerem resultados de longo prazo. Diante da situação, não podemos pensar em ideias relacionadas ao desenvolvimento da região que levantem bandeiras políticas. É preciso continuidade”, explicou Antônio Alexandre, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura, sobre os problemas de infraestrutura.

Seguindo a mesma linha, Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana da cidade, ressaltou a importância de se investir na mobilidade urbana. “É necessário um ordenamento urbano maior no Recife. Uma maior organização no trânsito é uma das principais bases do ordenamento urbano e crescimento sustentável de uma cidade”, afirmou.

 A iniciativa privada ainda foi representada no painel de debates por Francisco Cunha, sócio da TGI Consultoria.

 A pesquisa

 A pesquisa da Amcham-Recife foi aplicada durante o 8º CEO Fórum, realizado em 31 de julho. Participaram 247 diretores, gestores e executivos presentes no evento. A expectativa de 59% é fechar localmente com crescimento acima de 5% em 2013.

 O estudo identificou quais os segmentos econômicos devem puxar a economia pernambucana no ano. São eles: construção civil (19,79%); Tecnologia (18,75%); serviços (14,58%); naval e off shore (10,42%); comércio em geral (9,38%); e indústria de alimentos (9,38%).