Poder aquisitivo de idosos chega a 1,5 trilhão de reais, segundo especialista em envelhecimento

publicado 16/03/2017 15h16, última modificação 16/03/2017 15h16
São Paulo – Para Alexandre Kalache (Centro Internacional da Longevidade), envelhecimento será acelerado nos próximos anos
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Os brasileiros com mais de 55 anos movimentam quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com Alexandre Kalache, co-presidente da Aliança Global do Centro Internacional da Longevidade. “Estamos falando de 1,5 trilhão de reais. Não estou dizendo que todos os idosos sejam ricos, muito pelo contrário. Mas aqueles que hoje têm poder competitivo e econômico importante são, por definição, pessoas com mais de 55 anos”, disse, no Seminário de Longevidade da Amcham – São Paulo na quarta-feira (15/3). Em valores correntes, o PIB de 2016 chega a 6,3 trilhões de reais.

A acumulação financeira na população idosa é um fenômeno mundial, argumenta Kalache. “Os baby boomers [geração nascida entre 1945 e 1965] dos EUA movimentam cerca de quatro trilhões de dólares a cada ano”, compara. Convertido a um dólar médio de 3,1 reais, o montante equivaleria a 12,4 trilhões de reais.

De acordo com o alto poder aquisitivo dos idosos brasileiros tem potencial de impulsionar indústrias como o turismo e a construção civil. “Quem é que tem dinheiro para ir a cruzeiros e movimentar o setor hoteleiro? Criando negócios específicos, é possível manter os hotéis cheios fora dos períodos de alta temporada. No setor imobiliário, é possível oferecer produtos para um público maduro, que tem dinheiro e não está tão interessado em apartamentos com três quartos e lazer total”, sugere Kalache.

Envelhecimento acelerado

O mercado de consumo para pessoas maduras tende a crescer ainda mais. A população de brasileiros com mais de 60 anos vai quase triplicar nas próximas décadas em ritmo acelerado. “A França levou 145 anos para dobrar a proporção de idosos de 10% para 20%. No Brasil, vai acontecer nas próximas décadas. O que levou quatro ou cinco gerações para acontecer na França, acontecerá em uma no Brasil. Isso é revolucionário”, detalha o especialista.

Comparando o período entre 1950 e 2050, Kalache afirma que a proporção de idosos vai aumentar mais do que a média mundial, especialmente no Brasil. “Se analisarmos um século que começa em 1950, a população total terá aumentado em menos de quatro vezes e a de idosos acima de 60 anos vai aumentar em dez vezes. Estamos falando de um mundo que, em 1950, tinha 14 milhões de pessoas idosas, e terá quase 400 milhões em 2050”, estima. Nesse período, o Brasil terá aproximadamente 70 milhões de idosos com mais de 60 anos, montante que corresponde a 31% da população. Em 2015, a quantidade de idosos chegava a 24 milhões, ou 12% da população atual.

O envelhecimento acelerado no Brasil mudará radicalmente a forma de lidar com os idosos. “Com a revolução da longevidade, a vida deixa de ser uma corrida de cem metros, em que você usa toda a energia para chegar ao fim, e se torna uma maratona. E qualquer pessoa que tenha se preparado para essa corrida sabe que é preciso histamina, determinação e persistência.”