Preço de energia deve subir em 2015, de acordo com Wilson Ferreira, da CPFL

publicado 13/10/2014 10h20, última modificação 13/10/2014 10h20
São Paulo – Falta de chuvas obrigou governo a usar energia térmica, muito mais cara que a hidrelétrica
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O presidente da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), Wilson Ferreira, acredita que a energia elétrica ficará mais cara em 2015. “Ainda teremos, ao longo dos próximos um ou dois anos, aumentos reais na casa de 15% a 20%”, comenta. A CPFL é uma empresa de energia que atua em distribuição, geração e comercialização de energia elétrica que atende 570 cidades de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais.

Ferreira esteve no comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo na quarta-feira (1/10), e apresentou suas perspectivas para o setor elétrico aos executivos presentes. “O consumidor foi preservado de aumentos muito altos em 2014, que seriam na casa de 50% por conta dos custos adicionais de geração térmica e exposição involuntária.”

A exposição involuntária se refere ao volume de energia que as distribuidoras compraram no mercado livre, a preços elevados, para atender à demanda. Veja abaixo a entrevista do executivo à Amcham:

Amcham: Quais as perspectivas para o setor elétrico em 2015?

Wilson Ferreira (WF): Do ponto de vista de fornecimento de energia, diria que o risco de racionamento é zero para 2014. A entrada de empreendimentos em 2015, como as hidrelétricas de Santo Antonio (RO), Jirau (RO) e Belo Monte (PA), mostra que não haverá risco de apagão pela frente. Mas no aspecto financeiro, há uma série de compromissos que têm que ser sanados. O consumidor foi preservado, em grande medida, de aumentos muito altos em 2014, que seriam na casa de 50% por conta desses custos adicionais de geração térmica e a exposição involuntária. Ainda teremos, ao longo dos próximos um ou dois anos, aumentos reais na casa de 15% a 20%.

Amcham: Como aconteceu esse desequilíbrio?

WF: Tivemos em 2014 um ano hidrológico muito ruim, o sétimo pior nos 84 anos de medição. Foi preciso ligar as usinas termelétricas, que têm um preço médio de 4 a 5 vezes maior que o da energia hidráulica. Do ponto de vista energético, a crise está afastada, mas o setor ainda enfrenta o desafio de custos altos. O governo foi prudente ao não repassar os elevados custos da energia térmica e mesmo da exposição involuntária de uma vez. mas eles serão incorporados nas tarifas ao consumidor nos próximos anos.

Amcham: Em 2015, começa um novo governo. O senhor vê alguma mudança drástica na condução da política energética com Dilma Rousseff ou Aécio Neves?

WF: Creio que não. O modelo econômico do setor tem sido muito bem sucedido. Atraiu capital, desenvolveu novos agentes e atraiu investidores de fora. Com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o governo criou condições de financiamento e muitas empresas foram ao mercado de capitais. Sob essa ótica o modelo é positivo, com planejamento de longo prazo que acaba viabilizando projetos. Que são muitos.

Amcham: O que poderia ser feito para aumentar a competitividade do setor elétrico?

WF: É preciso melhorar os critérios de qualificação dos investidores e delimitar o apetite deles por projetos, o que seria prudente. Isso afastaria os empreendedores muito otimistas e os aventureiros. Outra coisa é a burocracia. Existe uma quantidade enorme de órgãos governamentais com os quais se deve relacionar para obter o licenciamento ambiental. O ideal seria racionalizar um pouco essa burocracia de governo. Se ele quer novos empreendedores no setor, tem que ajudar. A criação de uma espécie de Poupa-Tempo de licenciamentos, onde haveria articulação com os demais órgãos, poderia ser uma solução.

Amcham: Vamos falar sobre governança corporativa, afinal a reunião de hoje é sobre o tema. Como ela tem influenciado o resultado da CPFL?

WF: Temos enfrentado a crise sempre muito alicerçados em processos e governança corporativa. Somos capazes de propor alternativas e interagir com o governo na procura de soluções que preservam a saúde financeira da companhia. Em nosso caso, o conselho de administração é a instância na qual debate as alternativas a serem propostas ao governo e os limites em que podemos contribuir.