Presidente do Conselho da Amcham comenta discurso de Michel Temer para investidores em NY

publicado 21/09/2016 18h12, última modificação 21/09/2016 18h12
São Paulo - Hélio Magalhães participou do almoço promovido pelo Council of The Americas (COA), em colaboração da Câmara Americana de Comércio
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Nos Estados Unidos, o presidente do Conselho de Administração da Amcham Brasil, Hélio Magalhães, avalia que os investidores tiveram uma impressão positiva sobre o Brasil após o discurso do presidente Michel Temer. ‘As mudanças foram muito bem vistas pelos investidores. Existe preocupação sobre as regras, mas o governo foi muito claro dizendo que elas vão ser respeitadas e vai existir amparo legal para investir', afirma o executivo.

A Câmara Americana de Comércio (Amcham) promoveu, em colaboração com o Council of The Americas (COA), um almoço em Nova York com o presidente Michel Temer e investidores estrangeiros na quarta-feira (21/9), para apresentar o novo plano de concessões de obras de infraestrutura em curso no Brasil e as ações de governo para dar garantias de investimento. A Amcham Brasil é a maior câmara americana entre 104 existentes no mundo.

Segundo Magalhães, também CEO do Citi Brasil, os investidores estão olhando para todos segmentos e todos são interessantes para o mercado americano. O presidente do Conselho da Amcham Brasil disse que a preocupação maior é ver a economia brasileira em outro nível de desempenho, para que a taxa de juros fique mais baixa. Hélio destaca o discurso de Temer sobre os ajustes necessários para garantir um ambiente mais estável para investimentos.

Discurso de Temer

O presidente Michel Temer afirmou, em Nova York (EUA), que o governo deve ampliar o escopo de parcerias para investimentos privados. "Queremos que os senhores participem desse momento do Brasil. Além dos 34 setores na área de concessão, outros tantos serão abertos à iniciativa privada, não só a nacional, mas também à estrangeira", disse Temer, no almoço com empresários promovido pela Amcham e Council of the Americas (COA) na quarta-feira (21/9). Temer se reuniu com empresários americanos para divulgar o programa de concessão ou venda de 34 projetos de infraestrutura de energia, aeroportos, rodovias, portos, ferrovias e mineração a investidores. A expectativa do governo é arrecadar 24 bilhões de reais com as parcerias.

No discurso, Temer destacou a estabilidade política atual e as boas relações com o Congresso. Com isso, o governo vai dar prioridade à segurança jurídica dos contratos, controle dos gastos e reforma trabalhista. O presidente mencionou a proposta de limitação dos gastos públicos à arrecadação obtida, que está sendo processada no Congresso “com rapidez”. “Pela manhã, recebi o telefonema de três líderes partidários que vão fechar questão para aprovar a proposta. Temos apoio significativo no congresso”, detalha Temer.

De acordo com pesquisa da Amcham realizada com 160 diretores e presidentes de empresas em 16/9, o fim do processo de impeachment representou a retomada dos investimentos e ações comerciais no Brasil em curto prazo. A maioria das companhias (61%) retomaram os investimentos, sendo que 35% delas farão aportes financeiros no País até dezembro de 2016.

Após a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) dos gastos públicos, 38% dos consultados avaliam que a próxima pedra fundamental trabalhada pelo Governo deve ser a Reforma Tributária. Outras prioridades listadas foram: Reforma Política e Previdenciária, com 23% dos votos cada, e Reforma Trabalhista, sendo citada por 18% deles.Além disso, os empresários estão otimistas com a agenda proposta pelo Governo Temer. Para 84% deles, a economia voltará a crescer com a concretização das medidas propostas: teto para gastos, reforma previdenciária, programa de concessão e flexibilização da legislação trabalhista.

Sobre o plano de concessões, de acordo com 64%, o sucesso do programa dependerá da velocidade na recuperação da imagem e credibilidade do país no cenário interno e externo. O ritmo da aprovação de financiamento (13%), licenciamento ambiental (13%) e realização de road show com investidores (9%) também são pontos cruciais da boa aceitação no mercado do principal programa do Governo Temer.  

Em relação à reforma tributária, Temer disse que a proposta deve permitir que as negociações entre empresas e funcionários sejam validadas. “É preciso que se permita que as convenções coletivas façam prevalecer o acordado entre empregadores e trabalhadores. O objetivo é gerar estabilidade social.”