Trump deu “sinal tangível” de que quer um acordo comercial com o Brasil, diz Secretário de Comércio dos EUA

publicado 31/07/2019 15h01, última modificação 09/08/2019 17h52
Brasil – Wilbur Ross foi o convidado de honra do centenário da Amcham e recebeu documento com as 10 Propostas para uma Parceria Mais Ambiciosa
Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos EUA, na Amcham Brasil.jpg

Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos EUA, na Amcham Brasil

O convidado de honra do nosso centenário, o Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, reforçou que os Estados Unidos farão um acordo comercial com o Brasil. “Não sei quantos de vocês viram os tweets do Presidente Trump, mas ele esclareceu que quer um acordo comercial com o Brasil. Ele quer um acordo, e isso é um sinal tangível de algo que está para vir”, reforçou o Secretário.

O diálogo com o Secretário aconteceu à tarde em São Paulo, no dia 30/7. Antes do encontro, Ross almoçou com nossos conselheiros e visitou a exposição sobre os 100 Anos da Amcham. Aos empresários presentes, Ross afirmou que os dois países podem expandir os laços econômicos e comerciais.

“Os Presidentes Trump e Bolsonaro estão comprometidos em reduzir as barreiras de comércio e facilitar investimentos em vários setores, especialmente Energia, Infraestrutura, Agricultura e Tecnologia.” Pela manhã, o presidente Trump havia dito na Casa Branca que pretende trabalhar em um acordo de livre comércio com o Brasil.

Ross elogiou o acordo Mercosul-União Europeia e destacou que as diferenças que os Estados Unidos têm com o bloco europeu não impediriam um entendimento maior com o Brasil. “Isso não impediria (um acordo com o Brasil). Há discussões com relação a investimentos bilaterais. São questões abertas que precisaríamos eliminar primeiro, porque isso ajuda a estimular o fluxo de capital de private equity do Brasil para os EUA. E são coisas que já podemos fazer.”

FACILITAÇÃO COMERCIAL E REFORMAS 

Para um entendimento comercial amplo, os primeiros passos poderiam ser via acordos de facilitação comercial, segundo o Secretário. “O maior problema é a facilitação comercial, porque há atrasos muito grandes, que chegam a oito dias em alguns países. Isso é muito caro (para os países) e há também questões comerciais nas alfândegas.”

Ross também reconhece os esforços brasileiros na conclusão dos acordos e também das reformas estruturais necessárias para tornar a economia mais aberta. Ele cita seu país como exemplo, que reduziu a regulamentação.

“Para cada nova regulação que era implementada, eliminamos duas. Acho que o Brasil deveria considerar uma desregulamentação. Isso acelera as decisões de negócios, facilita também os processos e ajuda a se livrar de corrupção. Porque (com) menos regulamentações, você acaba tendo menos tentações.”

Uma reforma regulatória funcionou nos EUA, e também funcionará aqui. “E uma reforma fiscal também, principalmente a redução de impostos. Isso é algo bem eficaz. Estamos convencidos que essas são as duas principais razões da aceleração do nosso crescimento”, acrescenta.

O secretário também elogiou os esforços no combate à corrupção, tema crucial para aumento de competitividade. “Sei que o Brasil tem feito grandes esforços para agora com o governo Bolsonaro para lidar com a corrupção e ela deve ser tratada em todos os níveis.”

PROPOSTAS PARA UMA PARCERIA AMBICIOSA

No diálogo, entregamos ao Secretário nossas dez propostas para ampliar a parceria econômica entre Brasil e EUA. Elas incluem a conclusão de um acordo de livre comércio, a assinatura de um acordo de investimentos e continuidade do apoio dos americanos ao ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Compromisso que foi reforçado por Ross em função das reformas econômicas em andamento.

As propostas da Amcham para uma parceria mais estreita com os Estados Unidos podem ser acessadas aqui.

Luiz Pretti, nosso Presidente do Conselho de Administração e CEO da Cargill, destacou que a proximidade dos dois países cria um momento oportuno para o diálogo de parceria.

“A visita do secretário ao Brasil tem um significado muito importante para a definição dos próximos passos nos diálogos bilaterais e também uma última instância para a implementação de medidas bem sucedidas que poderão levar o Brasil e os EUA a uma integração mais profunda.”