Prevenção e ações para redução de passivos são lições da Volkswagen para gestão de processos trabalhistas

por andre_inohara — publicado 19/10/2012 14h25, última modificação 19/10/2012 14h25
São Paulo – Montadora promove conscientização de colaboradores e estabelece metas claras para baixar volume de reclamações trabalhistas.
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Esforço preventivo junto aos colaboradores e ações para redução de passivos balizadas por métricas de desempenho são as lições da Volkswagen, uma das maiores empregadoras do País, para gerir processos trabalhistas.

“Temos atuação muito próxima junto às áreas críticas, como o RH e os envolvidos em ações trabalhistas (escritórios terceirizados de advocacia). Realizamos muitos workshops com empregados, prestadores de serviços e escritórios externos para passar um pouco dessa cultura de prevenir problemas”, disse Eduardo de Azevedo Barros, diretor de Assuntos Jurídicos da Volkswagen.

O departamento também atua ativamente na atualização das práticas de governança corporativa. “Somos grandes parceiros orientando e revisando todos os procedimentos, e ajudamos na fiscalização”, descreve o executivo.

Barros apresentou o modelo de gestão de processos trabalhistas da montadora no comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo em 11/10, juntamente com a gerente jurídica da Volkswagen, Simone Giardina. Após a reunião, os executivos falaram ao site da Amcham.

A relação da área jurídica com a financeira também é bastante intensa, em função da necessidade de alocação de recursos e correta contabilização nas demonstrações financeiras.

“Além das ferramentas que usamos para gestão do dinheiro, informamos a provisão trabalhista, os custos processuais e os motivos de se fazer acordos, e como eles podem abrir precedentes”, detalha Simone.

Processos trabalhistas chegam a 11 mil

Na montadora, o volume de processos trabalhistas gira em torno de 11 mil por ano. As reclamações mais frequentes dizem respeito a insalubridade, periculosidade e horas extras.

O volume tem se mantido “razoavelmente estável nos últimos cinco anos”, observa Barros. Mas, embora a VW tenha adotado uma política mais favorável ao entendimento nos últimos anos, ainda esbarra na morosidade da Justiça.

“Implementando os acordos, buscamos conter a evolução tanto financeira como de estoque (de processos). Essa política se iniciou há dois anos, contudo não conseguimos trabalhar na mesma velocidade com que novas ações são abertas (de 100 a 150 por mês)”, argumenta o diretor jurídico.

Outra dificuldade para reduzir o volume de processos é a existência do que Barros chama de uma ‘indústria de reclamações trabalhistas’ contra a VW.

Metas de desempenho

Para diminuir o volume de pendências trabalhistas, a VW trabalha com metas claras, baseadas em métricas de desempenho empresarial. “Em processos trabalhistas, estabelecemos como regra a diminuição de processos. Tendo esse objetivo, implantamos políticas de acordo e diminuição do valor pago em cada condenação”, descreve Barros.

Se o volume de processos ainda não baixou, o impacto financeiro com condenações pelo menos diminuiu. “Há quatro anos, de cada R$ 100 reclamados, pagávamos R$ 27. Hoje está em R$ 25”, relata o diretor jurídico.